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Opinião

A vit�ria do proletariado

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| Ronald Mendonça * Sem dúvidas, o estudo da criminalidade no Brasil renderia uma tese de doutoramento por hora. Certamente muita bobagem seria repetida, inclusive a máxima sociológica de que a violência desenfreada é filha direta do fosso social. Se fosse tão simples, o que dizer de crimes contra os cofres públicos praticados por gordas velhas e noviças raposas inspiradas no insuperável Paulo Salim Maluf? Se já não bastasse a tediosa rotina da guerra do tráfico, agora mesmo, uma onda de assassinatos vem chocando a opinião pública. Em São Paulo, recentemente, pelo menos três bárbaros fatos emocionaram o País. Num deles, para roubar-lhe o carro, o porteiro de um edifício esmagou o crânio de uma jovem arquiteta contra o chão. No mesmo dia, um suposto pastor protestante espatifou-se no saguão de um shopping, após saltar de andar superior. Sobre o suicida pesa a monstruosa suspeita do assassinato do filho de quatro ou cinco anos de idade. No quesito crimes bárbaros, nossa Alagoas não faz feio. Nesta semana, a comunidade de Paripueira acordou com a notícia de duplo assassinato com estupro, tendo como vítimas duas jovens mulheres ? patroa e empregada. O autor dessa miséria foi um funcionário da vítima, morto pela polícia alguns dias depois. Do episódio sangrento, impressionante sob todos os aspectos, inclusive pela revolta da população, que se sentiu aliviada com o desfecho, ficou muito clara a impaciência popular. Disposta a fazer justiça com as próprias mãos, por muito pouco não houve invasão do recinto que abrigava o corpo do delinqüente. No entanto, o recado foi dado. Tenho dúvidas sobre a vantagem da morte do bandido. Apesar das falhas do nosso sistema carcerário, penso que se perdeu a oportunidade de ouvi-lo. Conversar com assassinos enriquece a criminologia. Além disso, nunca deve ser descartada a participação de terceiros. Há quase oito anos fui vítima de ataque de teor assemelhado em que perdi dois filhos. Pego vivo, o assassino confessou a cumplicidade de outras pessoas, surpreendendo a todos ao anunciar que os objetos furtados da minha casa eram entregues a uma ex-patroa ? tida como uma mulher ?de bem? da sociedade. Para comprovar quão complexa é a alma humana, há ainda o silencioso e inconfesso gozo de alguns setores, que no íntimo vibram quando um empregado elimina o patrão, materializando a ?luta de classe?, em última análise, o aniquilamento da exploração, a vitória do proletariado. (*) É médico e professor da Ufal.

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