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�, cansei!

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| André Falcão de Melo * Ano passado, escrevi algumas linhas demonstrando minha preocupação com nosso futuro. Estávamos às vésperas da eleição para presidente (ou reeleição, como vimos depois). A crônica tinha por título: Onde iremos parar? Um desabafo, na verdade. Não buscava respostas. Apenas uma maneira de expor minha estupefação com tudo o que vinha ineditamente ocorrendo. Em amparo à minha irresignação, citei alguns dados da economia. Principiei pelo pagamento da dívida com o FMI. Brincadeira, não! Vazio imenso ficou. Falei também do estancamento da venda do patrimônio público ? não sei pra que ficar com aquilo que restou (Caixa, BB, Petrobrás...). E por aí fui destilando minha ira, até então contida. Trouxe à tona o absurdo aumento do salário-mínimo, de 55 para 152 dólares (como pagar os empregados?), além da criação de 6 milhões de empregos ? e tome inserir miseráveis na economia, só pra atrapalhar. Não deixei barato: citei o aumento da exportação, de 60 para 199 bilhões de dólares e, para finalizar, contei que o risco-Brasil despencara de 2.400 para 204. Sem dó nem piedade. Disse, mesmo! Pois não pára de piorar! Do FMI não se ouve falar mais, mesmo! Até quase esqueci o bordão, lembra? ?Fora, FMI!? Salário-mínimo, durma!, agora vale U$ 205! Os alimentos, pasmem!, com desoneração tributária (por isto que, para onde você olha nos supermercados, só vê pobre). A mortalidade infantil reduzida à metade (depois reclama-se do aumento populacional). Universidade pública a rodo (pra quê?). Empregos, com carteira assinada, só faz aumentar. As balanças comercial e de pagamentos, simplesmente superavitárias. O risco-país uma bela merreca: 1 décimo (verdade!). Até os juros estão caindo! Isto pra não dizer ? saindo da economia ?, da Polícia Federal, toda semana com uma operação ?alguma coisa?, ou something, e desse Desengavetador-Geral da República. E tudo isto com uma política macroeconômica ortodoxa e conservadora! Assim não dá! Porém o principal alvo de minha irritação é o tal do Bolsa Família. Pô! Assistencialismo? Nada a ver! Afinal, comida nunca encheu barriga de miserável! Só a da gente. A fome, entenda-se, resulta de uma política ? acertada! ? de anos de descaso. Assim, deve-se deixar o pobre matá-la só após a realização de políticas públicas de médio a longo prazo, que dê escolaridade e emprego para todos, etc. De preferência, claro, apenas no papel. Alguém precisa fazer algo! Urgente! Se cansei? É... Cansei! (*) É advogado ([email protected]).

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