Opinião
Moeda de carbono - Editorial
Timidamente praticado pelos brasileiros, os negócios com Crédito Carbono tendem a crescer no mundo. Na semana passada, o conceituado banco de investimentos Morgan Stanley anunciou a criação do Banco de Carbono Morgan Stanley, destinado a trabalhar exclusivamente nesta área, atendendo a clientes que pretendem se tornar neutros em carbono. Definido pelo Protocolo de Kyoto, o mercado de Créditos de Carbono funciona atribuindo valor de troca entre os mais e os menos poluidores do planeta. O negócio é mais ou menos assim: as empresas (signatárias do protocolo para redução das emissões poluidoras) que não conseguem reduzir adequadamente suas emissões de dióxido de enxofre, monóxido de carbono e outros gases poluentes, podem comprar bônus conquistados por outras empresas que obtiveram saldos positivos na diminuição de suas contribuições ao aquecimento global. Segundo estudos, esse nicho de mercado deverá movimentar anualmente, até 2012, cerca de US$ 30 bilhões, em negócios de compra e venda de bônus de Crédito de Carbono. Outros estudos estimam que o Brasil poderia amealhar, nessas transações, algo como US$ 3 bilhões por ano. A criação, por parte de um dos mais respeitados grupos de investimento, de um banco especializado nesse nicho de mercado é um sinal de que esse espaço global de negócios não só se consolida como tende a crescer. O Brasil (e Alagoas) tem a obrigação de se antecipar (ou, pelo menos, recuperar o atraso) nessa área de negociação, multiplicando empreendimentos voltados exatamente para esse fim: produzir créditos de carbono. Caso tal política possa ser efetivamente associada a um movimento de crescimento industrial (real e sustentado), estaremos no caminho certo. Potencial não falta ao Brasil. E empresas poluidoras são muitas e no mundo todo. Resta negociar.