Opinião
Frutos do abandono - Editorial
Toda expansão da malha urbana representa um somatório de problemas a resolver. Em função disso, o planejamento urbano e os planos diretores são elementos essenciais. E, em Alagoas, quais urbes têm crescido tendo como base um plano anterior? Abandono completo do planejamento e da responsabilidade pública urbana ? essa é a realidade comum aos núcleos populacionais por toda Alagoas. Alguns dos sérios problemas identificados na ocupação de áreas tidas como ?paraísos naturais? têm como origem esse desplanejamento. Assim é, também, o caso da paradisíaca área de Barra Nova. O banditismo é apenas uma das chagas de um processo anárquico de povoamento e alteração radical do perfil social local. Enquanto toda Ilha de Santa Rita foi uma nesga de paraíso para uma diminuta população, tais problemas inexistiam (ou eram insignificantes). Durante muito tempo esse maravilhoso pedaço de Alagoas foi terra de escassa ocupação. Moradores pobres cultivavam hortaliças, criavam animais de pequeno porte e as casas de veraneio eram recantos despojados, mesmo que pertencentes a famílias de classe média alta (residentes em Maceió ou noutros centros maiores). Todos se conheciam, pobres e remediados. Repentinamente a ilha foi infestada de residências de todos os tipos, depositárias de objetos de valor, assim como proliferaram desocupados e amigos do alheio atraídos pela novas oportunidades oferecidas. Não se planejou o policiamento dessa área da mesma forma que não foi planejada, nem acompanhada, sua explosão imobiliária. Não falta só polícia, faltam normas coerentes para a ocupação do solo, falta saneamento, falta proteção aos mangues e aos mananciais. Falta responsabilidade dos poderes públicos e da iniciativa privada para com o povo e a natureza de paraísos (maculados) como Barra Nova.