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O Estado somos n�s

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| Marcionilo Neto * A nossa querida Alagoas, mais uma vez, cambaleia devido às greves e ameaças de greves em setores cruciais da sociedade dita organizada. Saúde e segurança são algumas das áreas em convulsão, prejudicando o cidadão comum. Quando o pretendente a um cargo público submete-se a um concurso, ele trata de todos os assuntos, menos questões salariais e greves. Depois que consegue a aprovação, muda o discurso. E essas questões passam a ser as palavras de ordem. Quanto à preocupação em prestar um serviço de qualidade... Não demora a achar que está ganhando pouco e reivindica as ?melhorias salariais, reajustes e equiparações? ou coisa que o valha. Ele não quer saber sobre as condições financeiras do município, Estado ou País. É notória a péssima distribuição de renda no Brasil. Determinados poderes, setores e detentores de cargos são privilegiados em seus orçamentos e vencimentos. É também público que existe uma defasagem nos salários dos profissionais menos favorecidos e até falta de condições estruturais para prestar um bom serviço. Entretanto, as reivindicações salariais nem sempre estão de acordo com a realidade. Daí a resistência em atender essas demandas, o que gera insatisfação e radicalismo. E, não poucas vezes, os grevistas não se contentam em parar: organizam piquetes e manifestações, impedindo até aqueles que desejam trabalhar. Os que querem ganhar mais, alegam que o Estado tem condições de lhes pagar os reajustes nem sempre justos, como se tivessem pleno conhecimento das finanças da unidade federativa, município ou País. É importante que todos ganhem bem. Mas será que o Estado tem condições para isso? Se forem concedidos todos os reajustes solicitados, até quando o Estado suportará? E se houver atrasos de salários? Todos sofrerão: funcionários, comércio, indústrias... Será uma verdadeira bola de neve a descer ladeira abaixo. Portanto, diante de eventuais insatisfações salariais, deve-se adotar o caminho das negociações. Luís 14, rei de França, segundo a história, disse: ?O Estado sou eu?. Não foi uma frase feliz, pois dizia da personificação de uma monarquia absoluta. Contudo, é necessário entender que o Estado somos nós. Em última instância, todos pagaremos caro se o Estado entrar num colapso financeiro. Por isso, temos que apresentar nossa parcela de contribuição para que o Estado sempre trilhe o caminho da paz e da prosperidade. (*) É subtenente da PM/AL e escritor.

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