Opinião
Peso dos informais - Editorial
Através de relatório divulgado anteontem, o Banco Mundial reconhece algo que já sabíamos há tempos: no Brasil, e na América Latina, a maioria dos postos de trabalho nas áreas urbanas é oferecido pelas micro e pequenas empresas, especialmente as informais. Ainda existe uma área à espera de descrição mais detalhada, distinguindo exatamente o número de empresas na informalidade total daquelas que, embora com registros formais, realizam a maioria de suas operações à margem da legislação em vigor. Grosso modo, o Banco Mundial, através do documento ?Informalidade: saída e exclusão?, consegue dar uma dimensão aproximada da realidade ao identificar em 56% o percentual dos postos de trabalho na economia (América Latina e Caribe) que são ofertados pelas atividades ?informais?. No Brasil, esse índice é ainda considerado mais elevado, segundo pesquisas de entidades voltadas às micro e pequenas empresas. Quando se fala de informalidade, é-se indispensável atentar para a necessidade intrínseca desse tipo de atividade esconder seus números reais ? afinal o informal sobrevive exatamente por conta dessa manobra de fuga às fiscalizações oficiais de toda espécie. Mas o consenso parece ser claro: no Brasil (assim como no resto da América Latina e Caribe) a economia informal é a grande responsável pela oferta de postos de trabalho. Essa é uma realidade que, embora pública e notória, ainda é superficialmente tratada pelos poderes constituídos. Apenas recentemente o primeiro programa brasileiro (tributário) em larga escala, o Super Simples, começou a ser implantado. Constatada pelo Banco Mundial, essa realidade merece mais atenção, merece políticas públicas coerentes e capazes de auxiliar essa faixa empresarial a desempenhar de forma legal, seu papel legítimo na economia.