Opinião
O Juramento de Hip�crates
| Ronald Mendonça * Num brevíssimo escorço histórico relembro que Hipócrates não foi o criador da arte de curar. Suposto descendente do próprio Zeus, teria habitado a Grécia quatro séculos antes de Cristo. Desmistificador das doenças, o ?Pai da Medicina? foi um homem além do seu tempo. Leitura obrigatória nas cerimônias de colação de grau, o Juramento de Hipócrates, ao longo dos anos, tem sido usado como elemento de chantagem, sobretudo nas questões que envolvem remuneração pecuniária. Nessas horas, há sempre um engraçadinho a cobrar: ?E o seu juramento, doutor??. Por essas e outras, abusando dos leitores, tomei a liberdade de transcrevê-lo. ?Juro por Apolo, o curador, por Esculápio, Higéia e Panacéia, e tomando por testemunhas todos os deuses e deusas, que cumprirei com todas as minhas forças os seguintes preceitos: respeitarei os meus mestres e cuidarei dos seus descendentes e ensinar-lhes-ei esta arte, se assim o pretenderem, sem qualquer pagamento e sem restrições; deixarei participar das lições orais e da prática médica os meus filhos, os filhos dos meus mestres e depois aqueles que se declarem meus discípulos. Prescreverei aos enfermos, o regime conveniente para seus benefícios, evitando causar danos. Defender-me-ei de súplicas e agrados para aplicar venenos que possam causar a morte, nem tomarei a iniciativa de tal sugestão. Do mesmo modo, não fornecerei às mulheres meios de impedir a concepção ou o desenvolvimento da criança. Em todas as circunstâncias exercerei minha arte com pureza e honestidade. Não praticarei a operação da pedra, mesmo nos enfermos que a necessitem, confiando-os aos que disso se ocupem especialmente. Em qualquer lar que entre, terei apenas em mira os proveitos dos doentes, abstendo-me de toda a ação prejudicial e corruptora, sobretudo quanto à voluptuosidade nos contatos com homens e mulheres. Tudo que eu tiver observado na vida familiar conserva-lo-ei secreto, se não me for permitido divulgá-lo. Se eu mantiver e observar este juramento com fidelidade, que me sejam concedidas vida afortunada e honra na profissão, e que a minha fama se propague entre os homens e perdure no tempo. Suceda-me o contrário se disso me desviar?. Como vêem, nenhum estímulo para suportar salários indignos. Muito menos preceitos especiais sobre participação em greves. O velho Hipócrates sabia o que dizia... (*) É médico e professor da Ufal.