Opinião
Desordem em alta - Editorial
Como se já não fossem suficientes as tragédias provocadas pelo crime organizado (em franco crescimento), tudo indica que também aumentam as ocorrências de violências provocadas por motivos assustadoramente fúteis. A edição de ontem da GAZETA DE ALAGOAS mostra essa execrável realidade através de três ocorrências de grande impacto (dentre outras que castigaram Alagoas nos últimos dias, conforme pode ser lido nas páginas policiais). Em Maceió, as câmeras de um sistema particular de vigilância captaram detalhes chocantes de um assassinato bárbaro. E, em plena área do Mercado Público um policial militar (com 25 anos de serviço) é trucidado por meliantes. No interior, em União de Palmares, um espancamento, também causa forte comoção. No caso do militar, assassinado quando fazia ?um bico? e tentando impedir um roubo de carro, o crime pode ser classificado dentre as baixas causadas pelo crime organizado, pois os assassinos faziam parte de um grupo que estava agindo na consecussão de um crime anteriormente planejado. As duas outras ocorrências chocantes, pelo menos num primeiro momento, não aparentam ligações com o crime organizado propriamente dito. Nesses dois casos, segundo as informações inicialmente coletadas, a violência pura e simples motivou-se a si própria. Mata-se e surra-se a bel prazer; essa é a mensagem. Este é mais um grave problema que se torna ainda mais acentuado. Como em tantos outros acontecimentos similares, fica a impressão de que a certeza da impunidade estaria na base da falta de respeito à vida alheia. A brutalidade se banaliza cotidianamente. Cabe aos poderes públicos serem mais ágeis. Polícia e Justiça têm de correr contra o tempo e oferecer lições exemplares, sob pena do barbarismo ir ganhando corpo, fortalecendo-se através de demonstrações cruéis como essas.