Opinião
Dist�ncia abissal - Editorial
Novidade não é (afinal certas coisas são evidentes), mas a confirmação por um instituto do porte do IBGE deixa-nos, alagoanos, sob um sentimento frustrante. Ostentar o maior nível de desigualdade social no Brasil é uma confirmação dolorosa de uma incompetência política evidente, num Estado especialmente promissor, beneficiado pela natureza e excepcionalmente destacado em termos de arte e cultura. Na verdade, essa terra alagoana é especialmente promissora desde antes de ser reconhecida como unidade autônoma, pois nos tempos anteriores a 16 de setembro de 1817, esse pedaço de Brasil já se destacava pela riqueza de seu solo, pela produção de seus engenhos, pela combatividade de seu povo ? vide Quilombo dos Palmares e a polêmica opção de Calabar (ambos marcaram a História do Brasil ainda no século 17). A cada ano, a impressão é que se aprofunda o fosso social em Alagoas, replicando a velha máxima de que ?os ricos cada vez ficam mais ricos e os pobres cada vez mais pobres?. Caminhamos para um Estado formado por poucos milionários e muitíssimos miseráveis? Sem dúvida, tudo indica que sim. Pelo sim, pelo não, esta é uma tendência suicida, pois uma sociedade com tais características é historicamente uma sociedade condenada à falência completa, suscetível a catástrofes sociais e políticas onde todos perdem ? especialmente quem mais tem a perder. É hora das elites alagoanas repensarem seu papel e tomarem consciência de que esse rumo deve ser mudado. E para mudar é necessária coragem cidadã, expressa em políticas ousadas, em estratégias ambiciosas, em projetos reais. Para mudar é necessário ampliar a base social e os apoios políticos. Para mudar é-se indispensável contrariar uns ou outros. Alagoas precisa mudar ? enquanto ainda é tempo.