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Chegou o S�o Jo�o

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MILTON HÊNIO * Junho é o mês das festas de São João. Hoje é o ponto máximo, em que as ruas, as danças, as roupas e as comidas dão um toque todo especial nas casas dos nordestinos, onde essa festa é tradicional. Muito se tem escrito em prosa e em verso sobre este mês, em que se unem religião e folclore. Creio que em nenhum lugar do Brasil tais festejos sejam mais animados e atraentes do que entre nós, nordestinos. Jorge de Lima, nosso grande poeta, descreveu em versos, ainda adolescente, em União dos Palmares, sua terra natal, as festas juninas daquela época. Eis um pequeno trecho. ?Chamalotes enchem o chão de chamas rubras. Fogueiras! Fogueiras! A menina bonita salta a fogueira. De meus olhos, meus olhos ficam cheios de fumaça e sonhos?. A Igreja Católica registra São João Batista em duas datas ? 24 de junho, o nascimento, e 24 de agosto, data provável do seu martírio, através do pedido extravagante de Salomé, que exigiu a sua cabeça como prêmio, em troca de prazeres fúteis na Corte de Herodes. A fogueira é um fogo que, segundo a história bíblica, lembra o sinal de Isabel para comunicar a Maria o nascimento de João Batista. A música faz parte desses festejos de forma destacada. De Luiz Gonzaga é o sinônimo de festas juninas. Até hoje, depois de tantos anos falecido, suas encantadores músicas não deixam se ser ouvidas em todos os lugares onde se comemora o São João: ?Asa Branca?, ?Assum Preto?, ?Feira de Caruaru?, ?São João na Roça? e tantas outras que alegram o viver do nordestino nesses dias de Junho. O xaxado, música tipicamente nordestina, tem sua origem no alto sertão pernambucano, desde a época de Lampião. Dizem os estudiosos do assunto que Lampião e seus ?cabras? quando estavam reunidos para comemorar algum feito, dava uma forte pancada com os fuzis no chão e roçavam suas alpercatas de couro contra o solo fazendo xá, xá, xá, de forma contínua e ritimada, dando início assim ao famoso xaxado. Luiz Gonzaga o transportou para a música dizendo: ?O Xaxado é dança macho dos cabras de Lampião?. O coco ? trata-se de uma dança que reflete bem o litoral brasileiro em que o tirador do coco vai escalando com maestria o sinuoso e musical coqueiro que balança ao compasso do vento. Vários nomes dão a essa dança no Nordeste: Ganzá, Zambê, Coco de usina, de praia, de roda. E o nosso Luiz Gonzaga como sempre, apaixonado por nossa região, deu destaque também a esse ritmo musical: ?Eu nesse coco não vadeio mais, apagar o candeeiro e derramar o gás?. E o nosso baião? Esse é o quente, gostoso, excitante, fazendo os salões ficarem superlotados nas festas de São João. E de novo lá vem o nosso Luiz Gonzaga a propagá-lo. Saído do Ceará, o baião começou a ganhar prestígio nacional em 1946, quando Luiz Gonzaga começou a difundi-lo pelas rádios do Rio de Janeiro. Eu tenho uma saudade imensa do São João da minha infância. As fogueiras enchiam as ruas, pois não havia pavimentação. Toda casa tinha uma. As labaredas lambiam o ar num frêmito de estonteante alvoroço. E quando ficavam só as brasas começava a cerimônia dos compadres e comadres: ?São João dormiu, São João acordou, vamos ser compadres que São João mandou?. A noite de São João vive em minha memória. Aquela felicidade passou, porém, no meu coração a fogueira da saudade continua ardendo sempre. (*) é médico

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