Opinião
Dois m�rtires do nazismo (1)
| Dom Edvaldo G. Amaral SDB * Pretendo, neste e no próximo artigo, esboçar as figuras singulares de dois heróis da santidade cristã, vítimas ambos da sanha cruel do nacional-socialismo. Trata-se de São Maximiliano Maria Kolbe e de Edith Stein. Começo por São Maximiliano. De pais profundamente cristãos, nasceu em 1894, numa pequena vila da Polônia. Criança, viu na igreja de seu povoado a Virgem Maria, apresentando-lhe duas coroas de flores, uma branca e outra vermelha, símbolos da pureza e do martírio. O garoto tomou as duas, pronto a conquistar ambas, a da pureza pelo martírio. Em uma de suas traquinices, próprias da idade, sua mãe, aflita, exclamou com desespero: ?Meu filho, que será de sua vida?? Sua vida foi de herói e de santo. Ainda estudante em Roma, fundou a Milícia da Imaculada, que em Maceió mantém apreciada programação radiofônica. Toda sua vida foi consagrada ao objetivo da Milícia de conquistar o mundo para Cristo pela mediação da Imaculada. Com visão apostólica e espírito corajosamente audacioso, criou perto de Varsóvia, em 1927, o ?Jardim da Imaculada?, imenso convento e parque gráfico, que contava com os mais avançados recursos da técnica daquele tempo e o trabalho de 600 irmãos leigos franciscanos, que chegaram a cobrir a Polônia, cada mês, com um milhão de cópias de sua revista ?O Cavaleiro da Imaculada?, além de um diário com 250.000 cópias e várias outras publicações para jovens e crianças. Líder tão empreendedor, chamou a atenção dos nazistas que ocuparam a Polônia em 1939. Foi preso duas vezes. Na segunda, em 1941, foi enviado para o campo de extermínio de Auschwitz. Aí se revelou heróico mártir do amor fraterno e da família. De seu dormitório, fugira um prisioneiro. O comandante escolhia por sorteio dez presos para morrerem por inanição no bunker da morte em lugar do fugitivo. Um dos sorteados exclamou: ?Ai de minha mulher e de meus filhos!? Neste instante, sai da fila um prisioneiro, de número 16.670, e se oferece ao comandante para morrer no lugar do sorteado. O nazista pergunta: ?Quem és tu?? Ele responde: ?Sou um padre católico!? É aceito. Assim, padre Maximiliano ofereceu espontaneamente sua vida para morrer no lugar do pai-de-família, que nem conhecia. Aos 14 de agosto de 1941, último sobrevivente dos dez, ele recebeu a injeção letal, que o levou para junto da Imaculada, na festa de sua Assunção gloriosa ao céu. São Maximiliano tem em Maceió, no Benedito Bentes, uma das primeiras paróquias do mundo erigida em sua honra pelo zelo de dom Otávio Aguiar. (*) É arcebispo emérito de Maceió.