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Maracan�: a gest�o do port�o 18

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| Gil Pacífico Vieira * O crescente debate sobre o atual estágio da crise do Estado tem suscitado as mais variáveis alternativas de contorno da situação, dentre as quais a reforma política, reforma tributária, reforma jurídica, enfim, uma reforma do aparelho do Estado brasileiro. O ex-ministro Bresser Pereira, através do Plano Diretor da Reforma do Estado introduziu na administração pública as organizações sociais, com o objetivo de dar mais eficácia ao nosso histórico e ineficiente modelo de administração pública. No Estado de São Paulo dezenas de hospitais já são geridos por essas organizações objetivando um maior dinamismo nas ações que beneficiam o cidadão. Em Minas Gerais 20 presídios serão construídos e administrados em parceria com a iniciativa privada. Sobre o assunto, cabe registrar uma entrevista recente do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que expôs sua indignação com o fato de dentro de suas atribuições ter que administrar as demandas das entradas dos convidados ao Maracanã pelo famoso portão 18, que segundo um ex-governandor carioca seria a verdadeira fonte de poder, maior até que nomear secretários. Roberto da Matta, antropólogo, em sua sociologia do dilema brasileiro, enxerga nesse tipo de atitude, o famoso jeitinho brasileiro, de sentir-se melhor que o outro; entrar sem pagar no maracanã vai além da questão pecuniária, está lá a inigualável vaidade humana. Portanto, na referida entrevista, e pensando em otimizar sua gestão, o governador anuncia a terceirização da administração do maior estádio de futebol do mundo. Creio que um governador do segundo Estado mais rico da Federação não recebeu um mandato popular para distribuir ingressos do Maracanã e sim para tratar dos graves problemas de interesse público. Terceirizar a administração do Maracanã é uma medida acertada do governador, no entanto, um ato administrativo correto não extingue o traço cultural predominante na sociedade brasileira que tolera o território sem fronteiras entre o público e o privado. Se, por determinado ponto de vista, a busca por inovação gerencial no serviço público são salutares para a gestão pública e para os beneficiários do serviço público, por outro ângulo, algumas questões precisam ser pontuadas. Por exemplo: a procura por modelos não estatais de implementação de políticas públicas estarão livres das influências e anseios patrimonialistas? Atitudes como a do governador em questão nos enchem de esperança. (*) É economista.

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