Opinião
Cen�rio preocupante - Editorial
Quando este século começou, Alagoas já era um dos Estados que mais gastavam com os respectivos poderes em toda a região, sendo o segundo, depois do Piauí, nas despesas com a manutenção do Legislativo (6,4%), o primeiro com o Judiciário (7,1%) e Tribunal de Contas (2,8%), e ocupando a segunda posição, com a primeira pertencendo ao Maranhão, no tocante aos gastos com o Ministério Público. Lembremos que, em 1997, houve a rebelião promovida pelas entidades representativas dos servidores públicos, militares e de outros segmentos em Alagoas, devido a maior crise fiscal da sua história, ao caos na administração estadual decorrente do agravamento das dificuldades financeiras, para pagar em dia ao funcionalismo (R$ 36,9 milhões), sem falar no serviço da dívida (R$ 9,3 milhões), e em outras obrigações enquanto restavam R$ 6,6 milhões para custeio e investimentos. A situação alagoana de agora, mais lastimável com os números da nova Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, pois aparecemos como o Estado detentor do maior nível de desigualdade do País (15,6%), é conseqüência de uma série de problemas econômicos e sociais acumulados e acentuados ao longo de décadas. Causados principalmente pela falta de prioridades para o devido equacionamento de questões como o alto índice de analfabetismo, da falta de uma quantidade de ações voltadas para a capacitação e ocupação digna de expressiva parcela da população dos sem-trabalho, e o uso de forma adequada do dinheiro público. Não parece haver dúvida: as sucessivas e demoradas greves de servidores públicos de várias áreas e níveis, sobretudo os da administração estadual, têm as mesmas causas das de 1997 e de outros piores períodos da vida desta ?Terra dos Marechais?.