Opinião
Terremotos
| Lysette Lyra * A natureza criadora de tantas paisagens belas, de tantos seres encantadores, em contrapartida é capaz, do mesmo modo, de grande perversidade quando se enfurece, mostrando a força de que é capaz. Causa mortes e destruição num grau imensurável. O homem na sua ganância e irresponsabilidade vem provocando-a fartamente, mas, em certas ocasiões, ela irrompe em desespero em conseqüência das falhas na formação estrutural da própria terra. É o que acontece com os terremotos. Se bem que eles também podem ser provocados pelo homem, quando brinca com suas bombas atômicas, com a construção de barragens, ou sugando o gás natural, do fundo do solo, deixando vazios que, às vezes, desabam, formando tremores, chamados induzidos. Mas, os terremotos ou sismos, na sua maioria, provêm da formação da crosta terrestre. Toda a terra, que está sob o mar, é coberta por placas, regularmente finas, de rochas. Existem, além disso, planícies, montanhas, vales e grutas profundas. Entre as placas, chamadas tectônicas, há rachaduras e falhas que emanam o gás metano que vem do centro da terra. Muitas dessas falhas, têm quilômetros de extensão, como as de Santo Andréas na Califórnia, as do litoral da Ásia, as do Mediterrâneo, as do litoral das Américas. A falha chamada Círculo de Fogo, em forma de ferradura, que abrange quarenta quilômetros, fica na América do Sul, na costa pacífica, indo até o meio desse oceano, atingindo algumas ilhas. É nessa área que tem acontecido os piores terremotos. O Atlântico também faz parte dessa região geográfica específica. Há ocasiões em que as tais rachaduras se chocam com violência ou abrem-se brechas na crosta, que soltam a energia que vem do centro do planeta, causando os abalos. São classificados, pelos físicos, numa escala denominada Richter, que vai de um a dez graus. Esses fenômenos ocorrem, geralmente, a 2 ou 20km de profundidade. Existe um aparelho, o sismógrafo, que mede e prevê os sismos. Mas, é impossível avaliar, com exatidão, quando eles vão acontecer. Assim, apanha sempre as pessoas de surpresa, causando mortes e desmoronamentos. São terríveis! No Brasil já houve um tremor de 6,6 graus, em Mato Grosso, e, em Manaus, aconteceu outro de 3 graus, sem grandes conseqüências. Agora em Pisco, no Peru, houve um de 9,6º que deixou 500 mortos e 1.300 feridos e destruiu 80% das moradias. O epicentro foi próximo, no mar. Muitos paises vêm socorrendo as vítimas numa demonstração comovente de solidariedade. (*) É escritora.