Opinião
Sobre desemprego - Editorial
Novos e preocupantes números relacionados à América Latina e ao Caribe estão num relatório sobre a juventude e a realidade do mercado de trabalho lançado ontem, em Santiago do Chile, pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O documento não mostra dados específicos sobre o desemprego no segmento da população jovem no Brasil, mas a expressiva quantidade de pessoas que estão necessitando de emprego no País estão entre os jovens de 15 a 24 anos de idade, que enfrentam índices de desemprego muito maiores que os adultos na região. De acordo com o estudo da OIT, vivem na América Latina e Caribe 106 milhões de jovens na região. 48 milhões do total têm algum tipo de atividade remunerada; outros 48 milhões são inativos (não trabalham e não estão procurando emprego); 10 milhões estão desempregados. Entre os que trabalham, 31 milhões realizam atividades precárias (não contam com seguridade social em saúde e pensões), sendo que dois a cada três deles não estudam. Já entre os que estão fora do mercado de trabalho, apenas 40% freqüentam a escola. Os que não estudam nem trabalham são 22 milhões. No conjunto, mais da metade da população de jovens não estuda: são 57 milhões, ou, 54% do geral. ?E mesmo quando trabalham, os jovens ganham menos: o salário dos jovens é, em média, 56% do recebido pelos adultos.? Essa situação é resultado da falta de políticas eficazes contra a inexistência de condições de sobrevivência com dignidade em países como o nosso, que permanece entre os mais atingidos pelas conseqüências das desigualdades em todo o mundo. Que não desaparecerão apenas com discursos, só com boas intenções e programas assistencialistas ou meramente eleitoreiros. Nem com iniciativas inadequadas diante dos desafios da pobreza e da miséria notadas até nas nações mais ricas.