Opinião
As mulheres, os sindicatos e a pol�tica
| Amélia Fernandes Costa * As pesquisas e estatísticas sobre a participação das mulheres no mundo do trabalho, refletem em sua grande maioria a tímida presença feminina nos postos de trabalho e nas organizações sindicais e conseqüentemente nas instâncias de poder, com relação aos homens. Fruto de uma cultura que historicamente determinou papéis diferenciados do homem e da mulher no processo de construção social, onde os homens foram formados para atuar nos espaços públicos e as mulheres nos espaços privados (lavar, passar, cuidar da casa, da comida e dos filhos). Valores esses que se naturalizaram no seio da sociedade e que terminam reproduzindo práticas de dominação do gênero masculino e de submissão do gênero feminino. Com a organização das mulheres no Brasil e no mundo, inúmeros debates e eventos discutem a condição social da mulher e buscam estratégias, na tentativa de desconstruir esses valores e estimular a inclusão nos espaços públicos e políticos, considerando seus potenciais e a sua verdadeira condição de cidadã. Por força das transformações sociais, as mulheres, pouco a pouco, vão se inserindo nos mercados de trabalho, é claro, com remunerações inferiores aos homens, já que o trabalho da mulher passa a ser considerado como um complemento no orçamento da família, portanto, de menor valor. Nesse contexto, ainda não é considerado o percentual de mulheres, que são chefes ou arrimos de famílias. No Brasil já são 30%. A política de cotas de gênero é uma ação afirmativa, que tem possibilitado a inclusão de muitas mulheres nas organizações de trabalhadores(as) e nas instâncias partidárias, mas precisa ser compreendida como cota mínima e não como cota única, que não pode ser ampliada. A luta é por igualdade de oportunidades. No movimento sindical e partidário, as mulheres enfrentam desafios ainda maiores: renúncias pessoais, por conta do tempo que lhe é tomado; cobranças da família, em alguns casos separações conjugais, por ofender a moral machista; preconceito social, pela idéia de que se uma mulher consegue avanços é porque é gostosa e não porque é competente. No mercado de trabalho enfrentam a segunda ou terceira jornada (em casa), a discriminação, ambientes de trabalho inadequados à sua condição, assédio moral e sexual, etc. Mulheres: precisamos ocupar espaços, remover barreiras culturais e avançar na luta em nome da força feminina, da realização pessoal do ser humano, e do ideal de igualdade social. (*) É secretária geral do Sindicato dos Urbanitários/AL.