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O destino das �guas

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| Rui Palmeira * Uma obra tocada a passos lentos, mais que em atraso, diante da seca que se faz quase perene, flagelo do sertanejo, tragédia do Semi-árido. O Canal do Sertão pretende captar águas do Lago do Moxotó, em Delmiro Gouveia, transportando-as por 250 km até a cidade de Arapiraca. Os estudos para a execução e os trabalhos propriamente ditos já ultrapassam a marca de décadas, o orçamento inicial foi revisto diversas vezes e sobram divergências sobre a data da possível conclusão. Enquanto isso, estanca-se o desenvolvimento e o pior: populações do Agreste e do Sertão alagoanos, de forma mais aguda, têm sede. Queremos ver o Canal do Sertão concluído, revertendo-se em frutos não só para o interior como para todo o Estado de Alagoas. Entretanto, tão importante quanto viabilizar e reivindicar o andamento dos trabalhos é discutir de forma ampla e propor de maneira plural, econômica e socialmente responsável o uso das águas que cruzarão parcela significativa de nosso território. O tema da gestão dos recursos hídricos que transitarão pelo Canal tem sido negligenciado neste debate e diante de sua importância a sociedade alagoana, em especial as comunidades situadas no percurso da obra, devem se pronunciar e serem ouvidas. Esta discussão deve ser mais estimulada, até por se tratar da maior obra pública em andamento em nosso Estado. Construção de impacto gigantesco para a vida dos quase 1 milhão de alagoanos que, diariamente, não têm água para beber, para as demais necessidades humanas ou para dessedentar animais. Canal vital para o desenvolvimento e para a diversificação de nossa agricultura, para o incremento de nossa agropecuária e para o fomento à atração de negócios de diferentes portes. Empreendimento único na busca por dotar a população carente do interior de Alagoas de melhores condições de bem-estar, de saúde, enfim, de real dignidade. É necessário manter permanente diálogo entre os poderes públicos e associações de moradores, sindicatos, organizações não-governamentais, técnicos e pesquisadores, ambientalistas, entidades do setor produtivo e do comércio, buscando construir o melhor modelo para a administração desta obra de segurança hídrica, indispensável e urgente. Para quem vai esta água? Haverá cobrança pelo uso? Como será a ocupação das margens do Canal? Como serão gerenciados os pólos de irrigação? De que forma conciliar agricultura familiar com grandes projetos agrícolas? A que custo financeiro, social e político? Perguntas que merecem respostas construídas coletivamente. (*) É deputado estadual.

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