Opinião
Merenda - Editorial
É considerável a quantidade de municípios espalhados pelo País onde a merenda escolar continua sendo a única alternativa para minimizar os efeitos da falta de alimentos de qualidade que atinge expressiva parcela da população infantil. A situação tende a piorar devido a uma série de fatores, sendo o principal deles a inexistência de atenções realmente destinadas a evitar o agravamento de problemas como a fome e a desnutrição. Se as necessidades nas comunidades mais carentes do nosso Estado, do Nordeste, de outras regiões, do Brasil inteiro, fossem, de fato, causas de preocupações maiores de muitos gestores da coisa pública, não mais existiriam motivos para a suspensão do repasse de recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) para centenas de creches e escolas da rede pública, em decorrência, sobretudo, de várias irregularidades que devem ser devidamente denunciadas e combatidas a partir das casas legislativas e dos organismos responsáveis pelo controle social, compostos inclusive por pais de alunos e outros representantes da sociedade civil organizada. O próprio governo federal informa que, em 2006, investiu R$ 1,48 bilhão para atender mais de 30 milhões de alunos beneficiários do PNAE e para este ano o orçamento previsto é de R$ 1,6 bilhão contemplando o mesmo número de alunos. Mesmo assim, a insuficiência de recursos continuará para o enfrentamento dos desafios existentes em todo o País, até mesmo nas nações mais desenvolvidas, causados pela fome e a má nutrição. Estudos recentes mostram que cerca de 10 milhões de famílias no País sofrem de nutrição. Um deles é da Organização das Nações Unidas (ONU), que estima em US$ 150 bilhões por ano os gastos para combater a fome no mundo até 2025. E constatar que a merenda escolar é alvo de golpes e golpistas do dinheiro público.