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Opinião

Atitudes em poema

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| José Maurício Brêda * ?Na primeira noite eles se aproximam/ e roubam uma flor/ do nosso jardim./ E não dizemos nada./ Na segunda noite, já não se escondem;/ pisam as flores,/ matam nosso cão/ e não dizemos nada./ Até que um dia,/ o mais frágil deles/ entra sozinho em nossa casa,/ rouba-nos a luz, e,/ conhecendo nosso medo,/ arranca-nos a voz da garganta./ E já não podemos dizer nada?? Trago esse poema para exprimir a revolta sobre o que vem acontecendo em nosso Estado e em nosso País. Constantemente deparamo-nos com manifestações de diversos segmentos que, a cada dia, se transformam em empecilhos para o direito de ir e vir de todo o cidadão. Como se já não bastassem os sem-terra, e aí é o começo de tudo, quando não foi dado um basta no seu modo reivindicatório, agora chegamos ao desplante de os próprios mantenedores da ordem e da lei ignorarem-na e, pior, infringirem-na. Mas o poema está acima de tudo isso. Mesmo não sendo um aficionado, sempre lembro algumas poesias que me marcaram. E um deles é o com o qual abro estas linhas. À mesa com minha família, citando-o, pedi que lembrassem o autor, pensando fosse polonês ou russo. Um de meus filhos deu a autoria como sendo do russo Maiakovski (Vladimir Maiakovski, 1893-1930). Após o almoço, vou à internet e procuro pela obra do poeta sem nada apontar para tal poema. Continuando, coloco trechos do mesmo em site de busca e deparo-me com grata surpresa. Existem vários artigos e comentários sobre a autoria da bela obra. A vida inteira foi dada como sendo de Maiakovski. Mas o feitiço havia virado contra o feiticeiro. Sim, porque o autor do lindo poema, que apenas transcrevi em parte é Eduardo Alves da Costa, de Niterói-RJ, nascido em 1936, portanto seis anos após a morte do suposto autor e foi escrito nos anos 60 durante a ditadura militar. Por ter posto o título ?No Caminho com Maiakovski?, e não ter lutado veementemente quando devia, pela sua autoria, viu-se como personagem de seus próprios versos. Tudo isso, diz, porque o psicanalista Roberto Freire o incluiu em um de seus livros, dando créditos de autoria ao russo e de tradutor ao brasileiro. Ao ser perguntado se se arrependia de ter colocado o nome de tão famoso autor no título afirma: ?De maneira alguma! Tanto que vou usar o mesmo título para o livro que sai agora? ?, setembro de 2003. E como ironia pela dúvida da autoria, termina: ??Mas dentro de mim,/ com a potência de um milhão de vozes,/ o coração grita? Mentira!? (*) É bacharel em economia.

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