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Ondas e holofotes - Editorial

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Vitorioso na principal batalha política/pessoal dos últimos tempos no Brasil, o senador Renan Calheiros não pode supor terminada a guerra contra ele. Apeá-lo do poder continuará a ser o objeto do desejo de inimigos nada ocultos. O resultado da votação no Senado da República, pela primeira vez nas recentes décadas, ousa contraditar uma poderosa onda alimentada por praticamente todos os mais poderosos veículos de mídia do País. Naquela mesma casa, noutras ocasiões, nomes emblemáticos da política brasileira foram tragados por ondas mais ou menos semelhantes, a exemplo de Antônio Carlos Magalhães, sacrificado porque cometeu a imprudência de tomar conhecimento e vazar informações acerca de uma votação em sessão secreta do Senado, quando da votação da cassação de um dos seus membros, Luiz Estevão, em junho de 2000. Naquela época, a indignação orquestrou-se em torno da sagrada inviolabilidade das sessões secretas do Senado, especialmente quando da definição sobre cassações de mandatos. Talvez, ao serem comparadas as eloqüentes falas de 2001 e 2007, sejam descobertas vozes de uma mesma pessoa defendendo radicalmente o segredo do voto, há seis anos, e o fim desse sigilo para o caso do senador alagoano. Todo o processo contra o presidente do Senado, até ontem, pautou-se por uma voraz campanha pela cassação de Renan Calheiros cuja agressividade foi cuidadosamente afastada de quaisquer averiguações sobre o poder das empreiteiras sobre o parlamento. Todas as acusações arroladas contra o senador alagoano, rigorosamente, eram estranhas a infrações ao decoro parlamentar; foram expressões de uma onda articulada em torno da cassação pela cassação ? onda que não dá indícios de possa desaparecer de imediato, até porque os holofotes seguem acesos e direcionados.

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