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Opinião

A banaliza��o da viol�ncia

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| Anilda Leão * Seria muito bom, agradável e otimista, se pudéssemos ? nós que escrevemos para o público em geral ? falar apenas de coisas poéticas, de coisas amenas, de grandezas. Porém, infelizmente, nem sempre podemos voar tão alto, de forma a não enxergar a triste realidade que viceja em torno de nós. Ou, como diz o dito popular, não podemos tapar o sol com a peneira. A violência vem entrando pelos nossos olhos, pela nossa cabeça, pela nossa sensibilidade e, pior que isso, vem entrando nas nossas casas, nos centros comerciais, nas ruas, em todos os locais, enfim, onde se faz presente a atividade humana. Atualmente, já não podemos usufruir com tranqüilidade, as coisas mais simples, como bater um papo com amigos numa mesa de restaurante, sem temer pelo pior. Coisa que, aliás, aconteceu com pessoas amigas, recentemente, que tiveram seus pertences roubados, os ladrões tendo levado dos homens presentes até as suas camisas. Felizmente não levaram as roupas das mulheres. O pior de tudo, neste quadro, é não sentirmos a presença da polícia, é o abandono que todos estamos enfrentando por parte de quem teria o dever de garantir a nossa segurança. Ora, como podemos nos sentir seguros se até as delegacias e os quartéis estão sendo invadidos pelos meliantes? E tudo fica por isso mesmo, não se prendem os malfeitores que, muitas vezes, estão até nas próprias forças de segurança. E quando são presos, não demoram nas celas das delegacias, muitos saindo calmamente pela porta da frente. A violência , está claro, não existe por si só, não brota aleatoriamente em nossas cidades e em nosso País. Problemas sociais e desvios de conduta da nossa elite dominante são o caldo perfeito para alimentar a descrença da maioria da população nos poderes constituídos. Os crimes do colarinho branco, onde os envolvidos raramente sofrem as penas da lei ? que é tão dura com os ladrões de galinha ? apenas contribuem para desmoralizar essa instituição que deveria ser tão nobre ? a Justiça. E assim, enquanto os poderes constituídos se omitem, mergulham na inércia e na inépcia, ou até contribuem para um quadro geral de descrença e desconfiança dos cidadãos nos seus dirigentes, a violência se banaliza, a vida humana perde cada vez mais o valor, numa espiral que já não sabemos onde poderá parar. Por isso é necessário que todos nós, enquanto sociedade, instituições civis, cidadãos comuns, nos juntemos para sensibilizar e pressionar aqueles que tem a responsabilidade de nos defender da barbárie. E com urgência, antes que todos nós nos tornemos vítimas também. (*) É escritora.

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