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Parando e afundando - Editorial

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Novamente, o povo paga a conta. Mais uma greve paralisa o sistema público de educação. Quem se preocupa com o futuro da juventude alagoana que necessita do sistema público de ensino? Pode-se passar todo o tempo do mundo na troca de acusações: os sindicalistas acusarão o governo e este acusará aqueles. E enquanto segue o infindo confronto, a educação pública vai sendo sangrada, e a estudantada, vítima primeira desses desencontros, perde um tempo precioso, irrecuperável. A cada paralização de uma escola pública, a cidadania é aviltada, o futuro é roubado daqueles alunos forçosamente excluídos das salas de aula. E nem bem saímos de uma torturante greve estendida por mais de dois meses. Agora, entra-se numa greve intermitente, cuja orientação primeira é parar 72 horas a cada desencontro entre sindicalistas e governo. Um quadro surrealista, tão doloroso quanto absurdo para a sociedade. O que fazer? Em desespero, pais de alunos e os próprios estudantes, em várias escolas paralisadas, propõem-se a executar as tarefas de limpeza, contanto que as aulas não lhes sejam novamente roubadas. E qual o rumo dessa atual escaramuça? Depois dessas primeiras 72 horas de prejuízo para a sociedade, advirão quantas mais 72 horas de danos ao povo? E depois dessa greve intermitente, quais novas paralisações advirão? Sim, porque tudo indica que a safra de greves está a todo vapor, adubada pela forma fluida de negociação adotada (até agora) pelo governo. Não é hora de alguém (dentre as lideranças sindicais e autoridades governamentais) prestar atenção no povo, naquela parcela da população que tem sido martirizada implacavelmente a cada uma dessas paralisações? A cada parada, independente de quem tenha razão, Alagoas afunda mais um pouco.

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