Opinião
Greve dos m�dicos x vida
| Aloísio Barroso * Há alguns meses, escrevi sobre o tema ?O Médico e a Filantropia?. Falei sobre a necessidade de maiores cuidados e interesses ao redor dos pacientes, sobretudo daqueles de classe socioeconômica mais carente. Naquelas minhas considerações o foco centrava-se numa minoria de médicos. Hoje, estamos vivenciando uma época em que tudo se agravou, já que a vida humana não está valendo mais nada para um segmento da categoria, que não tem tido resposta racional, humana, para o embate greve x vida. A esse respeito, ficamos emocionados ao assistir na TV uma jovem de 28 anos vaticinar, 24 horas que antecederam sua morte, por força de negativa de um médico que se negara a fazer uma cirurgia cardíaca, sob a alegação de greve, é de se pasmar. Onde já se viu coisa dessa natureza? É evidente que a greve é um dos fortes instrumentos de que dispõe uma categoria profissional para reivindicar melhoria. Mas, não quando está em jogo a vida humana e quando esta vida está na dependência de um médico. A alegação do médico grevista esconde-se na baixíssima remuneração paga pelo SUS, mas entre aquele nível remuneratório e a vida humana é claro que a vida humana tem absoluta prioridade. Até de graça se daria preferência à vida humana. Gostaríamos de saber se esse médico grevista estivesse no lugar da paciente o que ele pensaria. Invertam-se os papéis e nem precisamos obter a resposta. O comportamento desse médico é detestável, irracional, desumano, é até falta de cidadania. Já que o poder central não se importa o quanto teria de se importar em relação à saúde, remunerando adequadamente os que fazem a medicina, esse grevista teria de fazer ? e fazer bem feita ? a sua parte, emprestando, no caso, todo o conteúdo do seu juramento, isolando, do contexto, toda e qualquer situação. A propósito do caso em foco, quando a jovem vaticinou sua morte, 24 horas antes, por força da negativa daquele médico grevista, achamos que teria de haver uma legislação específica para casos da espécie, determinando punição, caso a greve fosse vencedora no embate greve x vida. Ou se obrigasse a inserção de cirurgiões ? cardíaco no segmento de 30% que são obrigados a não ?grevar?. É apenas uma modesta opinião de uma pessoa que muito se emocionara e constrangera com o ocorrido com aquela jovem de 28 anos e outra pessoa que porventura tenha passado ou venha a passar pela mesma situação. (*) É ex-secretário da Fazenda de Alagoas.