Opinião
Analfabetismo cruel - Editorial
A semana termina com mais um motivo de maiores preocupações a respeito da situação do País agora e do futuro: as disparidades regionais e suas conseqüências negativas no sistema educacional. Baseia-se tal preocupação nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnda) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Especialmente nos dados que mostram a existência no Nordeste, já no ano de 2006, de mais da metade dos analfabetos com idade superior a 10 anos de idade do País. A taxa da região ficou em 18,9%, mais que o dobro da média nacional e além do triplo do que foi apurado na região Sul (5,2%). Também são preocupantes os números que apontam o País ainda com cerca de 37 milhões de pessoas na condição de analfabetas funcionais ? indivíduos com mais de 10 anos de idade e menos de quatro anos de estudo, que apesar de saberem ler e escrever, encontram dificuldades para utilizar escrita e a leitura para continuar aprendendo e se aperfeiçoando. Números como estes bastam para cada instituição no País, com as atribuições constitucionais relacionadas à educação, atentar para os diversos aspectos dos muitos problemas do setor, entre os quais o fato de grande parte das crianças brasileiras sofrer de analfabetismo funcional. Esta questão é mais um item de uma extensa lista de desafios que não serão enfrentados de maneira eficaz apenas com intenções e sem a aplicação correta do dinheiro público. Está diante de uma realidade triste em nível nacional. E mais ainda nas regiões com os maiores índices de pobreza e miséria do País, a exemplo do Nordeste, onde as crianças são as maiores vítimas das dificuldades para estudar, de escolas com infra-estrutura defasada, dos péssimos meios de transporte, da falta de valorização e capacitação dos professores, além de outras deficiências.