Opinião
Antipatriotismo
| Augusto Galvão * O dia 7 de setembro de 2007 ficará registrado na história do nosso Estado como um dia de recordações desagradáveis. Enquanto o País inteiro comemorava mais um aniversário da pátria, Alagoas, por força de alguns vândalos, foi vítima de um ato antipatriótico, um ato violento, que em nada enaltece a luta daqueles que reivindicam melhoria de remuneração. Com efeito, a invasão do local onde estava sendo realizado o desfile comemorativo da independência, por parte de alguns policiais civis e de servidores da saúde, impedindo o prosseguimento da festa cívica, nada mais foi do que um ato de baderna explícita, denegrindo a imagem das duas classes. Democracia se faz com responsabilidade, não com vandalismo. Quem não respeita o direito dos outros, não merece viver em sociedade. Não se está tirando o direito dos grevistas de reivindicarem benefícios para suas classes. Jamais. Entretanto, não se aceita que alguns poucos, em nome da defesa de pretensos direitos, maculem um dos raros momentos cívicos vivenciados pela população alagoana. Sim, porque o Brasil de hoje, infelizmente, não incentiva o sentimento de brasilidade, de patriotismo, como ocorria antigamente, quando, por exemplo, os estudantes hasteavam a bandeira e cantavam os hinos da nação e do Estado. O governador Teotonio Vilela, ao encerrar prematuramente o desfile que ocorria diante do Memorial da República, foi sensato, agiu com equilíbrio, evitando que possíveis conseqüências trágicas viessem a ocorrer: muitos daqueles policiais civis estavam armados e poderiam fazer uso delas para forçar a passagem que lhes estava sendo impedida pela Polícia Militar. As imagens de violência explícita vistas por crianças, adolescentes, idosos, homens e mulheres, e transmitidas nos noticiários televisivos do País, foram péssimos exemplos e destoaram completamente da índole pacífica dos alagoanos. Por conduto de alguns poucos, a imagem de Alagoas, mais uma vez nos enche de vergonha. Nosso povo é bom, ordeiro, hospitaleiro, alegre, completamente diferente daquilo que ocorreu. Todos saíram perdendo: os estudantes, porque não puderam desfilar garbosamente, após tantos ensaios; a população, porque deixou de apreciar o espetáculo cívico; o Estado, porque virou motivo de execração; os grevistas, porque receberem o repúdio do povo. Ao governo do Estado cabe, agora, apurar com rigor os fatos e punir exemplarmente os culpados, provando que Alagoas é sim uma terra de gente que cumpre a lei. (*) É procurador do Estado.