Opinião
Esc�ndalos no ba� - Editorial
Preso depois de foragido por cerca de sete anos, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola faz relembrar uma época que muitos sonhavam com seu completo esquecimento. Acontecido no ano 1999, o escândalo ficou conhecido pelo nome do banco Marka/FonteCindam e além do banqueiro Cacciola, se envolveram na operação fraudulenta autoridades do governo FHC: o presidente do Banco Central, Francisco Lopes e a diretora de Fiscalização do BC, Teresa Grossi, dentre outros. Na época, o prejuízo dos cofres públicos foi estimado em cerca de R$ 1,5 bilhão. A condenação (em 2005, pela juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro) de alguns dos principais envolvidos, apesar de ser um ato digno de nota contra a impunidade, ficou deixando a desejar pelo fato de um dos principais acusados, Salvatore Cacciola, ter ? até poucos dias ? ter conseguido escapar do braço da Lei. Isso tudo muda com a detenção do ex-banqueiro num condomínio pricipesco em Mônaco. Sua extradição ao Brasil significará a retomada do caso e um grande alento e reforço aos esforços da justiça na luta pelo fim da impunidade. É fundamental que não seja interrompido, nem fique restrito ao caso do ex-banqueiro Cacciola, esse esforço cidadão contra a impunidade e pelo avanço dos processos acerca dos muitos escândalos que teimam em assolar o Brasil. Outros tantos casos escabrosos daquele mesmo período merecem ter seus processos revitalizados, como a concorrência do Sivan; a compra de votos para a reeleição (gênese do Mensalão); a ?doação? da Companhia Vale do Rio Doce; o Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional); a ?piratização? da Telebrás... Em tempos de furor ético, é bom evitar manipulações conjunturais e passar a limpo uma conta (muito pesada) que está aberta há pelo menos uma década.