Opinião
Os pais e o emocional infantil
| José Medeiros * A crescente preocupação com a saúde emocional da criança é plenamente justificada, pois, já é perfeitamente compreendido que a saúde, ao longo de toda a vida do indivíduo, está correlacionada à qualidade dos cuidados emocionais básicos que recebeu. Dessa forma, não resta dúvida, que o mais importante numa relação entre pais e filhos é o amor e a conseqüente atenção dada. Quando nascem, crescem e se desenvolvem, eles precisam sentir-se queridos, ajudados, elogiados. Assim, crescem emocionalmente equilibrados e entram na vida adulta com todo o seu potencial humano. Se a personalidade adulta for fortemente influenciada por experiências positivas, todos os cuidados que tenhamos tido com a vida emocional da criança, estarão atuando na boa adaptação e capacitação do adulto para uma vida plena e saudável. Nesse caso, o que dizer da relação cada vez mais fragmentada entre pais e filhos, às vezes, por conta do despreparo emocional dos pais para o exercício desse papel fundamental e, muitas vezes, por conta da correria profissional. O resultado, em geral, é desolador. Basta pensarmos sobre o fato de que toda criança tem o direito de viver em um ambiente acolhedor, afetivo e amoroso; porém, esse ideal nem sempre é alcançado. Ambientes conturbados pela falta de respeito, de maturidade psicoemocional dos pais, ou quando as crianças servem como álibi para segurar relacionamentos que estão desgastados, são prejudiciais para elas. Poderão estar fadadas a arcar com danos emocionais e psíquicos que as prejudicarão ao longo de toda a vida. Quando os pais são muito ausentes, por força das atividades profissionais, há prejuízos que podem ser compensados. Não se trata de abandonar a carreira, pois, além de desastroso, seria frustrante. É necessário equilibrar as coisas de forma que todos saiam ganhando. Não é difícil encontrarmos casos próximos de nós, cujo cenário da ausência dos pais, culminam em crianças inseguras, desmotivadas, chegando até a desenvolver psicoses. Perguntaram a um especialista em que época deve começar a educação dos filhos; a resposta foi clara: vinte anos antes, com a educação dos pais. Tudo isso vale como reflexão. De nada adianta os pais sentirem-se culpados e exagerarem na dose, compensando a ausência com a falta de estabelecimento de limites. A grande sugestão é educar com amor, intimidade, diálogo e compreensão. (*) É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.