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Opinião

Sociedade doente

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| Wellington Santos * Na madrugada do dia 15 deste mês, na cidade de Arapiraca, um jovem homossexual de 19 anos foi humilhado e espancado até a morte por dois ?homens? não identificados, depois de participar de um concurso na cidade em destaque. Na última quarta-feira, um cidadão espancou a própria filha na porta de um colégio, por receber uma denuncia de que sua filha poderia ter algumas opções sexuais, digamos poucos recomendáveis. Lamentavelmente em nosso Estado, pelo menos 31 pessoas foram assassinadas pelo motivo de terem uma opção sexual diferente da grande maioria. Pergunto: isto é justo? Fiquei a me perguntar estes dias, assistindo a estes dois episódios: Por que a sociedade, incluindo aqui pais e mães, costumam ser tão tolerantes com filhos corruptos ou omissos com jovens que espancam empregadas domésticas, queimam índios e mendigos em plena via pública? Por que fazer vistas grossas para milhares de jovens que dirigem bêbados, causando morte e muita dor para as famílias envolvidas? Por que costumamos ser complacentes com nossos filhos heterossexuais quando eles engravidam meninas indefesas sem depois lhes dar a mínima satisfação ou praticam o aborto sem a condenação das suas famílias? Por que somos tão presentes e amorosos com filhos que se drogam e causam tanto desgosto para nós pais? É óbvio que não estou defendendo a violência em nenhum aspecto nem tampouco nenhuma opção sexual em destaque, estou tentando fazer você questionar comigo que a nossa sociedade está doente e é hipócrita na maioria das vezes. Algumas análises feitas do ponto de vista sociológico denunciam muitas das mazelas encontradas em nossa sociedade (machismo, homofobia, racismo, etc) como sendo resultado da influência ?cristã? patriarcal e intolerante que compõe a matriz religiosa e a moral da nossa cultura. Se for verdade o que dizem as ciências sociais, declaro que tenho vergonha de ser cristão e também de ser pastor, representante do culto institucionalizado. Para atenuar meu incômodo pessoal acerca deste cenário, quero colocar que o evangelho que eu creio e entreguei toda a minha vida e juventude pra seguir e proclamar, é marcado pelo amor e respeito ao próximo, independentemente das suas opções. Não creio num cristianismo marcado pelo legalismo, farisaísmo e intolerância. Fico a me perguntar: o que os agressores estão de fato tentando matar, espancar ou destruir? Eles, na verdade, lutam com sentimentos fantasmas que provocam seus instintos mais selvagens e primitivos. (*) É pastor da Igreja Batista do Pinheiro.

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