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Banaliza��o cruel - Editorial

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Sob comoção, o mundo acompanha o drama da menina Madeleine McCann, inglesinha de quatro anos desaparecida desde 3 de maio deste ano, no Algarve, no Sul de Portugal. No Brasil, segundo números oficiais, desaparecem 40 mil crianças por ano. A estimativa desse assustador número de crianças desaparecidas no Brasil tem como base as informações recolhidas junto às delegacias. Podem existir falhas nessa contabilidade, segundo a Rede Nacional de Identificação e Localização de Crianças Desaparecidas (Redesap) da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, porque muitos casos seriam recorrentes e somar-se-iam na mesma estatística. Mas ainda assim, não há como não se chocar com dezenas de milhares de crianças desaparecidas. Ou será que não estamos mais nos chocando devidamente com a massificação desse crime hediondo? Ou não se considera, na prática, hediondo o seqüestro de uma criança? De toda forma, com dezenas de milhares de desaparecimentos registrados, parece evidente que nós, brasileiros, estamos banalizando esse crime horrendo. Quando da divulgação do caso de Madeleine McCann, muitos textos (reportagens, artigos, notas em colunas) traziam certa ?estranheza? pelo fato do desaparecimento da inglesinha estar chamando tanto a atenção do mundo. Tem sua lógica, pois, por aqui, apenas os familiares e umas poucas entidades desdobram-se em denunciar os sumiços. A repercussão do drama de Maddie ? despertando atenção de boa parte do mundo, mobilizando as polícias de Portugal e da Inglaterra e até o papa ? deveria nos levar a uma reflexão profunda e a mudanças de atitudes em relação a este crime covarde. Além das autoridades, dos poderes públicos, a própria população deve redobrar suas atenções e cuidados sobre essas ocorrências terríveis.

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