Opinião
SUS: mais gest�o e mais recursos
| José Gomes Temporão * O SUS, que está prestes a completar 20 anos, é um marco para as políticas públicas no País, com seus princípios de universalidade, gratuidade e controle social. Não podemos esquecer que, até 1988, tínhamos um sistema que garantia saúde apenas aos trabalhadores filiados à Previdência Social ? 30 milhões de brasileiros ? e hoje deve atender a 190 milhões de pessoas. Somente pelo SUS de Alagoas foram realizados em 2006 mais de 40 milhões de procedimentos ambulatoriais, que vão desde atendimentos básicos, como consultas, até os mais complexos, como ressonância magnética e quimioterapia. Neste mesmo ano, foram mais de 190 mil internações, todas gratuitas. Entretanto, os resultados já alcançados não nos permitem desconhecer que ainda temos vários desafios. A crise de saúde que atinge Estados do Nordeste, e que estamos buscando contornar junto aos governos estaduais, é um exemplo disso. Esta é a região que mais depende do SUS: cerca de 90% da população nordestina são atendidos exclusivamente pelo sistema público. Sem dúvida, é necessário ampliar o acesso, reduzir as filas de atendimento e melhorar a qualidade dos serviços, além de oferecer condições dignas de trabalho aos profissionais de saúde. Por isso, além de medidas emergenciais, é necessário estabelecer um modelo mais ágil de gestão para os serviços públicos de saúde, assim como obter mais recursos para o setor. São evidentes os obstáculos que enfrentamos por causa da rigidez da administração pública para atingir uma gestão eficiente e eficaz da saúde. Não é à toa que praticamente todos os melhores hospitais públicos brasileiros construíram artifícios para contornar esse modelo. Na década de 1990, proliferaram fundações privadas de apoio que acabaram por desempenhar várias funções administrativas em paralelo à administração do próprio hospital. A questão é que esses modelos são questionados juridicamente e estão com os dias contados por não respeitarem as normas da administração pública. A situação precisa mudar. A nossa administração pública deve se adaptar aos novos tempos de acordo com as responsabilidades do Estado e respeitando os princípios do SUS. O sonho de um sistema de saúde para todos não pode se dar por terminado com a sua criação. Muito menos se tornar inviável depois de 20 anos de empenho e dedicação de diferentes profissionais. É preciso que seja fortalecido, acompanhe as mudanças, cumpra sua função principal de proporcionar um atendimento digno e que seja orgulho de seus servidores e de toda a população brasileira. (*) É ministro da Saúde.