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A �gua e o seu vil�o

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| JORGE BRISENO * Todo recurso natural tem o seu vilão, representado por algum segmento econômico ou alguma atividade produtiva que o explora de maneira insustentável. Pois bem, caros amigos e amigas, a água também tem seu o seu vilão e ele se revela mais forte e seus efeitos mais intensos nos países pobres. Os estudos apontam, sem deixar margens para dúvidas: o vilão do consumo de água nos países do Terceiro Mundo é a irrigação. Nos países africanos, 88% do consumo de água são utilizados nos processos produtivos ligados à irrigação. Na Ásia, o índice chega a 85% e na América Latina e Caribe, 79%. Os processos são utilizados, em sua maior parte, com métodos de irrigação ineficientes e com grande desperdício. Os países pobres, extremamente dependentes da agricultura intensiva para a produção de grãos alimentícios, buscam, ao exportá-los, obter recursos financeiros para o equilíbrio das suas balanças de pagamento e não se dão conta do grave problema ambiental que estão criando em suas fronteiras. O preço dos grãos exportados não é pago somente em dólares, mas também em transtornos sociais e destruição ecológica, como desmatamento, poluição por fertilizantes químicos e consumo excessivo de água. O drama da superexploração dos reservatórios de água subterrânea, dos lagos e rios nos países que dependem intensivamente da agricultura está espalhado pelo mundo. O Mar de Aral, na Ásia Central, foi palco de uma das maiores catástrofes ecológicas que o nosso planeta já viu. Sua superfície foi reduzida em 40% e seu volume de água diminuído em 60% devido aos desvios dos rios Amu Darya e Syr Darya, que o alimentavam para a irrigação de algodão. Afinal, era preciso produzir para exportar. À medida que o Mar de Aral encolhia, sua salinidade crescia. Chegou a um ponto em que a pesca, que sustentava milhares de famílias, cessou por completo. Os fortes ventos se encarregaram de espalhar o sal pelas terras férteis da região, transformando-as em desertos inabitáveis. Uma Chernobyl silenciosa. Na China, a exploração das águas do Rio Amarelo para irrigação faz com que suas águas não atinjam o mar por longos períodos. Temo que o nosso ?Velho Chico?, objeto de cobiça e sandice por parte de inúmeros vilões que querem utilizar suas águas para tudo quanto é uso, siga o mesmo rumo do rio Amarelo, na China. Se gente fosse, amarelo ele já estaria. De medo! (*) É engenheiro e diretor de operação da Casal.

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