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Opinião

Riscos dos julgamentos

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| PASCHOAL SAVASTANO * O escritor Molavi narra que todas as noites o prisioneiro esquece de sua prisão. Todas as noites, repete ainda, o tirano esquece de seu poder. O genial mestre procura descrever ? quando a noite parece não terminar nunca, cumprindo um imperioso silêncio, surge um sopro universal modificando, mesmo por instantes, situações julgadas definitivas. A lição simbólica ensina a todos que um sopro de vento voltará a acontecer, no próximo dia, em uma demonstração do permanente movimento do mundo. As fortes agruras e o firme domínio, às vezes considerados estagnados e eternos, estão sujeitos a processos de mudanças. Assim como os homens, as instituições vivem de sofrimentos e momentos redentores. A exemplo dos homens, tentam também fugir da realidade, cultivando momentâneas ilusões. Mas, logo assumem os rumores dos seus incontornáveis destinos e de sua irrenunciável vocação. Os governantes gostam de esquecer aqueles que contribuíram para sua vitória. O poder, que enganosamente parece não terminar nunca, quase sempre não representa uma conquista pessoal. As alianças e os próprios adversários são decisivos ao resultado triunfante das escolhas. O sopro das circunstâncias, segundo a experiência, representa um fenômeno ocasional que teima em não se repetir. As relações pessoais sofrem constantes mutações. A quebra das expectativas e interesses contrariados geram batalhas de sentimentos. As referências tidas como ideais, de repente, passam a merecer condenações. Os doloridos efeitos dos laços desfeitos são proporcionais à intensidade das amizades construídas. Nas diversas esferas, vigora o inestimável valor da palavra e do compromisso sempre honrados. A confiança é uma moeda insubstituível. As figuras humanas capazes de transmitir incondicional apoio e gratidão, ganham o permanente reconhecimento dos seus parceiros e admiradores. O invisível vento que sacode todas as coisas representa um constante desafio aos titulares dos afetos ou detentores do poder. Os vendavais que passam arrastam os projetos não sedimentados pelo equilíbrio e cumplicidade de ideais. Todas as noites a consciência dos homens, ao lado dos seus devaneios, cobra os sonhos delineados pelas promessas assumidas. As respostas decisivas nascem das revelações comprovadas e entregues, sem reservas, ao julgamento dos dias futuros. (*) É advogado.

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