Opinião
Car�ncias de sempre - Editorial
Os problemas relacionados à saúde pública no País, agravados com as paralisações causadas pelas greves por melhores salários e condições de trabalho promovidas pelos trabalhadores do setor no Nordeste, incluindo o nosso Estado, terminaram fazendo o governo adotar medidas urgentes e de há muito necessárias. A principal notícia foi o anuncio da liberação de R$ 1,2 bilhão, que estava contigenciado para o reajuste de cerca de mil procedimentos da tabela do SUS a partir deste mês, cujos valores já estavam defasados em mais de 100% só no período de 1994 a 2002. As novas providências dizem respeito também ao aumento dos tetos financeiros (limite de gastos com hospitais) e ao repasse de verbas aos Estados. De acordo com Ministério da Saúde, os recursos para o reajuste médio na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) em 30% e o aumento no limite de repasses aos Estados para o setor irão provocar um impacto de R$ 3,6 bilhões no Orçamento da União em 2008 de acordo com cálculos do Ministério da Saúde. Com todo esse dinheiro, por exemplo, a diária de acompanhante é reajustada em 202%, passando de R$ 2,65 para R$ 8,00. O SUS pagará 27% a mais por um parto normal, passando de R$ 317 para R$ 403; uma ecocardiografia passa a custar R$ 30,72, um reajuste de 50%; uma ultrasonografia obstétrica R$ 33,00, representando um aumento de 44,8%; e a consulta médica, reajustada em 32,45%, custará R$ 10. Só estes números bastam para sabermos que as questões que dependem de recursos financeiros suficientes continuarão causando preocupações aos gestores e aos demais segmentos da área da saúde. Sobretudo aos prestadores dos serviços e à população. E até mesmo as pessoas que têm condições de pagar por uma cirurgia ou comprar algum remédio sem precisar procurar alguma unidade da rede pública.