Opinião
Imobilismo geral - Editorial
É indiscutível a escalada do crime organizado em Alagoas, embora seja discutível se as greves da polícia possam, de alguma forma, alterar este quadro dantesco. Com ou sem paralização dos trabalhos de parte das polícias, o crime não pára, sequer arrefece. Verdade é que, em tempo de greves policiais, as demarches ficam ainda mais atravancadas, burocratizadas. Mas em tempos normais, a agilidade e eficiência não têm sido a marca registrada. Então, com ou sem greves, essa realidade tem de ser mudada. De alguma forma as autoridades públicas devem intervir e coordenar uma dura reação a tamanha onda de criminalidade. Além dos assassinatos políticos, os crimes ?apolíticos? só têm crescido e se espalhado. E, num e noutro caso, a ousadia dos bandidos é cada vez maior e mais afrontosa. Vejamos o mais recente assassinato político, cometido contra um vereador sertanejo. A vítima foi trucidada em plena festa na cidade de Mata Grande, num momento onde a cidade fervilhava de gente e um bom número de policiais lá estavam a trabalhar. Nem o trânsito congestionado das noites de festa nas ruas dificultou a fuga dos assassinos. E a onda de roubo dos caixas eletrônicos? As pesadas máquinas têm sido carregadas de seus endereços como se fossem cofrinhos de cerâmica (lembram-se dos clássicos porquinhos quebráveis?), destruídas e aliviadas de suas cédulas sem maiores dificuldades. Assaltos à mão armada? Nem é bom falar, até porque tantos são que não se pode mais contabilizá-los com precisão. E passam a ser encarados com perigosa banalização, como se tal ação criminosa fosse algo comum, uma espécie de ônus inevitável (um tributo inexorável ao crime organizado). Será que as recorrentes greves desencadeadas por parte das polícias contaminaram as cabeças pensantes responsáveis pela segurança pública em Alagoas?