Opinião
Pesquisar � preciso - Editorial
Em qualquer tempo, em qualquer país, investir em pesquisa é prioridade indiscutível. Infelizmente, apesar dos ótimos exemplos (inclusive locais), parece que nossas autoridades ainda não valorizam o suficiente essa estratégia. Observando-se casos recentes, deveríamos cobrar mais empenho e investimentos por parte do poder público e da iniciativa privada. Um desses bons exemplos pode ser identificado em uma pesquisa desenvolvida conjuntamente por universidades de dois Estados distintos e distantes sobre o mesmo foco: como ser mais eficiente no combate ao mosquito transmissor da dengue. Vale a pena destacar essa experiência, levada adiante pela Universidade do Sul de Santa Catarina e pela Universidade Federal de Pernambuco. Os dois centros de ensino superior estão empenhados no desenvolvimento de um inseticida especificamente concebido para eliminar as larvas do mosquito Aedes Aegypt. Acentuando dados sobre o conhecido flagelo: segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 438.949 casos de dengue de janeiro a julho de 2007, num aumento de 45% em relação ao mesmo período de 2006. São dados mais do que suficientes para justificar todo apoio a esse esforço. A meta é criar um larvicida eficiente e barato capaz de substituir os atuais inseticidas disponíveis no mercado (os melhores são importados, e a alto preço ? ou são produtos tóxicos, que acabam prejudicando o meio ambiente). Os pesquisadores brasileiros estão, em Santa Catarina e em Pernambuco, fazendo experiências com combinações de duas substâncias naturais ? a andiroba e o cinamomo ? com uma terceira produzida sinteticamente, a partir de componentes naturais, que ainda está sendo estudada especialmente pela equipe da UFPE. Essa iniciativa exemplar já é notícia internacional. Resta-nos aprender a própria lição.