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O c�nico e o mentiroso

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| Aloísio Alves * Alckmin, quando então candidato à Presidência da República, e demonstrando irritação com as declarações do também candidato Luiz Inácio sobre a oposição e a campanha eleitoral, afirmou: ?Esse cara é cínico e abusado?. Repetidamente falou o quanto o presidente abusou de bravatas, retóricas e deboches, ao desconhecer a prática de corrupção na sala do lado do seu gabinete. A escola do cinismo ganhou muitos simpatizantes e afins nos últimos tempos, principalmente entre os íntimos amigos do rei. Cinismo foi uma corrente filosófica fundada por um discípulo de Sócrates chamado Antístenes, e cujo maior praticante, ao que se sabe, foi Diógenes de Sinope, por volta de 400 a.C., que pregava essencialmente o desapego aos bens materiais e externos. Ao contrário da acepção moderna e vulgar da palavra, o cinismo à época objetivava essencialmente a conquista da virtude moral. Com o decorrer dos tempos, o termo passou à posterioridade como adjetivação pejorativa de pessoa insolente, hipócrita, indiferente ao sofrimento alheio. O cínico é a mistura do cara-de-pau com o mentiroso, é a prática que se funde de forma estigmatizada no palanque político e outras atividades do cotidiano, como o vendedor picareta ou o representante inescrupuloso da lei, que age como se fosse um verdadeiro transformista fazendo da mentira sua própria verdade. O cínico/mentiroso é senhor absoluto do papel que interpreta, alcança devaneios tipo, o mundo o julga puro, inocente das suas misteriosas trapalhadas. Acredita com fervor que pessoas comuns veneram sua candura, ao ponto de fazer da prática do cinismo e mentira a devoção da cada dia. A mentira, usada especialmente na política, tem uma trajetória muito longa, a velha máxima de ?levar vantagem em tudo?, faz parte da cartilha do cínico, é regra ? a da malandragem, da esperteza insolente. O cínico define-se também como o miserável com problema de visão que vê as coisas como são e não como deveriam ser. O sorriso nunca é escancarado, desliza pelo canto da boca com ironia, além de ser ameaçador e meio amarelado. Para as religiões, mentir é pecado grave, educar os filhos com pitadas de mentira seria devastador. E a mentira no trabalho? Imagine uma mentira daquelas que venha a causar prejuízos a um colega e a própria empresa, que desagrade ao chefe, por exemplo, quem assim o faz corre o sério risco de ficar desempregado. Como também o caos que seria um País com uma imprensa mentirosa que trapaceasse a sociedade com notícias inverídicas preservando interesses inconfessáveis. (*) É publicitário.

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