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Artigos na linha de frente: abuso urbano

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| Ivo Werneck * O setor econômico do mercado imobiliário, com seus tentáculos em atividades afins, é daqueles que se apóiam em legislação de gênese débil, para, muitas vezes, tornar o mundo pior. Insaciável em ?comer? espaços para construção de edifícios de apartamentos, não lhe falta escrúpulos em transformar locais agradáveis, bonitos e que tornam a vida de todos os seres vivos melhor, em áreas de concreto, fechadas, que nem aos muitos ? cerceados ao prazer que a natureza lhes concede, sequer aos poucos ? insensatos futuros moradores, farão bem. Exemplos últimos são os projetos das três torres de apartamentos na bucólica praia de Guaxuma, e os loteamentos fechados às margens da lagoa Manguaba. Invadindo as praias, os bairros já urbanizados, destruindo áreas verdes, mangues, essas atividades violentam as paisagens naturais que sempre valorizaram Alagoas, notadamente seu litoral. Importante se rever os conceitos de progresso, de desenvolvimento econômico, pois as agressões que assistimos nos cobrará um preço alto, já em um futuro próximo, pela nossa tolerância à esses setores. Urge uma regulamentação enérgica para que cessem os abusos desse setor. Um dos referidos tentáculos, a engenharia civil no ramo habitacional, ademais, emprega poucos profissionais qualificados. O argumento de oferecer postos de trabalho à mão de obra desqualificada é inócuo. Frágil pela própria definição de ?desqualificada?, pois o País precisa profissionalizar seus trabalhadores. Há décadas, a revista Realidade publicava uma reportagem sobre a falta absoluta de futuro digno aos trabalhadores da construção civil, então, no sudeste. Revelava a vida passada ao longo de anos, envelhecendo sem casa, sem poder constituir família, com suas posses limitadas a um radinho de pilha, enviando a sobra de seu parco salário aos parentes distante. Por fim, restam à formação dos profissionais do mercado imobiliário como um todo, investidores, incorporadores, e por conseqüência, igualmente responsáveis, empresas de engenharia e imobiliárias, princípios de humanismo, de respeito ao meio ambiente, para que passem a trabalhar visando sempre o bem social, e não, principalmente, o celerado lucro. (*) É engenheiro eletricista e perito criminal.

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