loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 23/07/2026 | Ano | Nº 6273
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Renova��o

Ouvir
Compartilhar

| Anilda Leão * Que bom que ainda podemos falar sobre belezas, cores e flores, e esquecer as atrocidades cotidianas que estão enlutando o mundo. É Primavera. Pelo menos por alguns momentos, meus possíveis leitores poderão esquecer os artigos que sempre tocam na ferida da fome, da miséria, da injustiça e dos maus políticos que infestam o país e o mundo. É, gente, estamos começando a vivenciar a estação das flores, que nos faz evocar campos floridos, crianças correndo, música. Meu pequeno jardim, apelidado de ?Nosso Éden? por Moliterno, aos poucos vai mudando de aspecto, ganhando cores. As palmeiras, plantadas por ele há mais de meio século, avançam para o alto parecendo querer chegar ao céu. Esperam, certamente ansiosas, que as orquídeas dispostas em seus troncos pelas mãos habilidosas do dr. Luiz Araújo, se abram em sua variada gama de tons alegres. Pássaros voejam, inclusive os meus amigos bem-te-vis, que mais parecem meninos brincalhões a querer pegar a gente de surpresa. Sinto, porém, falta das borboletas. Por que elas sumiram? Alguma ?armada? dos homens, com certeza. No entanto, ainda estão por aqui os beija-flores, sugando o néctar das inflorescências, num equilíbrio perfeito, que só Deus explica. E as fruteiras, carregadinhas de frutos por aí a fora? Aqui mesmo as pitangueiras se cobrem do branco das flores, prenunciando os frutos vermelhos que irão aguçar o apetite da gente. Começamos a vivenciar a Primavera. E com todo esse alvoroço de pássaros em algazarra, vislumbro no alto da enorme palmeira-leque uma família inteira de jandaias ou papagaios palradores, certamente fugidos dos campos onde as matas são derrubadas todos os dias em nome do ?dólar?. Mas o Sol nos enche de energia e o cheiro gostoso que vem das mangueiras e dos cajueiros vizinhos, faz com que esqueçamos as coisas ruins. E nos dispomos até a perdoar os que nos ofendem e a pedir perdão àqueles que, em nossa ignorância, ferimos alguma vez. Mas também é o momento de agradecermos, emocionados, o carinho e a dedicação dos amigos que estão sempre presentes, nas horas boas e nas horas difíceis. Ah, se nesta quadra risonha do ano, quando parece até que Deus está mais perto, pudéssemos jogar dentro dos corações endurecidos, dos corações sem amor, um pouquinho só dessa beleza toda que a gente sente no ar. (*) É escritora.

Relacionadas