Opinião
Vias periculosas - Editorial
Chocada pela multiplicidade da tragédia, ocorrida anteontem (quando acumularam-se num mesmo local dois acidentes graves), a opinião pública concentrou mais atenção ao que acontece nas estradas brasileiras. Com o impacto do choque de tragédias superpostas, voltamos a colocar o dedo numa mesma ferida: o perigo nas estradas brasileiras é muito maior que os riscos nos aeroportos. Aqui já se escreveu, mais de uma vez, sobre tal problema; e agora, voltamos ao tema, relebrando, insistindo em destacar a gravidade da situação das estradas em todo Brasil. A dupla tragédia ocorrida no município de Descanso (SC) não pode ser analisada tendo como foco principal as responsabilidades do segundo acidente (ou incidente) quando um caminhão furou o bloqueio da Polícia Rodoviária e chocou-se contra veículos de resgate e bombeiros que tentavam socorrer vítimas de um primeiro acidente no mesmo local. As principais causas desse e de outros acidentes mortais em todas as estradas brasileiras têm a ver com a precariedade das rodovias e com a incapacidade dos poderes públicos em realizarem um minimo que seja de um programa de obras de recuperação, sinalização, ampliação e segurança em nossa esgarçada malha viária. Tamanho é o caos nas estradas que vale a pena relembrar alguns números coletados por entidades como a SOS Estradas: 24 mil pessoas morrem por ano vítimas de acidente de trânsito no Brasil; a cada 40 minutos uma pessoa morre num acidente numa rodovia; 411 pessoas ficam feridas por dia em acidentes rodoviários ? destas pelo menos 30 morrem em decorrência dos ferimentos. A cada hora 17 pessoas ficam feridas. Há muito está acesa a luz vermelha para nossas estradas, avisando que este caminho não pode ser seguido. Mas, infelizmente, os poderes públicos ignoram os avisos e seguem furando o sinal.