Opinião
Novos marginalizados
| Dom Fernando Iório * Não faltam rostos novos na galeria de nossos marginalizados. A sociedade contemporânea, mormente nas grandes cidades, desafia nossa consciência cristã, apresentando-nos novos rostos e variados perfis de pessoas que vivem marginalizadas, excluídas do convívio normal dos conectados com os meios de comunicação social: falamos, por demais, dos sem-teto, dos sem emprego, sem o pão de cada dia: fazemos opção preferencial pelos pobres, pelos miseráveis... Outros, entretanto, existem necessitados de nossa compaixão, acolhida, de nosso respeito. Não faz muito tempo, houve, em São Paulo, a grande passeata do orgulho gay: muita festa, barulho sem conta, mas, por detrás de tanto ruído, de tanta fantasia, quanta dor!... Não nos enganemos com a efusão de alegria que parece se manifestar nessas apresentações ruidosas. Ali, no saracoteio da dança da vida, há muitos que sofrem: há suicídios, não faltam as drogas, nem o desespero. São criaturas que pedem respeito. Multiplicam-se os preconceitos, revela-se a falta de compreensão. O doutor da graça, Santo agostinho, afirmava: devemos detestar o pecado, mas amar o pecador. Necessitamos abrir espaço em nossa sociedade para a compreensão e o respeito no tocante aos nossos irmãos gays. Não os condenemos por suas tendências sexuais, levando-os ao ridículo, mas procuremos analisá-los como criaturas de Deus destinadas, também, à glória do Senhor. Aquilo que parece impossível a nós não deixa de ser possível a Deus. Como cristãos, precisamos ter coragem. Abrindo espaços em nossa pastoral para um trabalho de orientação, sem preconceitos com esses novos vitimados, excluídos, marginalizados e não conectados pela mídia maior. A moral cristã não admite a prática homossexual, como também não aprova o adultério, a prática de sexo fora do casamento. Entretanto, para todos existe compreensão tolerante: deles não nos devemos afastar por causa de suas fraquezas. No tocante ao homossexual, o peso da condenação é desproporcional e o sentimento de repulsa da maior parte não deixa de ser desumano e anticristão. Acima de tudo está o respeito ao outro, seja quem for. Nem por isso, vai a Igreja reduzir a sua Teologia Moral em favor daquilo que, naturalmente, não pode ser. Trabalhemos, entretanto, para que o uso e o abuso do sexo contribuam para a caminhada harmoniosa, para a beleza da criação. (*) É bispo de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.