loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Um pilar estrat�gico

Ouvir
Compartilhar

| Marcial Lima * Quando o presidente da República, no lançamento do Mais Cultura - Programa para redução das desigualdades, afirmou que não adianta tirar o povo da escuridão da cidadania urbana e deixá-lo na escuridão da cidadania cultural, estava indo além da mera evidência do óbvio, revelado em índices de exclusão explicitados em recente pesquisa do IBGE, a exemplo dos 92% de brasileiros que nunca foram a um museu, dos 93,4% que não conhecem uma exposição de arte e dos 78% que nunca assistiram a um espetáculo de dança; afinal, pode-se argumentar que tais requintes resumem-se em puro diletantismo. Com o correr do tempo, os governos, por despreparo ou mercê de resquícios de uma cultura colonizada, salvo momentos raros, sempre tiveram os órgãos de cultura como espaços a serem apropriados pelos ?amigos do rei?; como balcões de serviço, para atender interesses circunstanciais; ou como agências promotoras de eventos, de entretenimento. O que se depreende das diretrizes do programa citado é que devemos passar a enxergar a cultura como uma necessidade básica, fato que se comprova quando nos deparamos com o documento Programa Cultural para o Desenvolvimento do Brasil, onde se expressa que a cultura, na atual visão do Estado, está investida em um papel estratégico, porque não mais vista como algo meramente decorativo e ornamental, mas como base da construção e da preservação de nossa identidade, como espaço de conquista da cidadania, como instrumento para a superação da exclusão social, ?tanto pelo fortalecimento da auto-estima de nosso povo, quanto pela sua capacidade de gerar empregos e de atrair divisas?. Gilberto Gil, que tem demonstrado lucidez e coerência na condução do Ministério da Cultura, vem evidenciando que uma política cultural como pilar estratégico deve fazer vir à tona nossa diversidade, no esforço cotidiano de buscar a realização humana, a justiça social e a plena cidadania, abrindo condições de existência para além da sobrevivência. ?A cada dia torna-se mais evidente que o investimento em cultura é item indispensável, ao lado da qualidade do sistema de educação e da superação dos gargalos em infra-estrutura?. Portanto, cabe a nós, gestores públicos, atendermos os desejos e as demandas da população, criando, no entanto, novos desejos, afinal ?o povo sabe o que quer, mas também quer o que não sabe?, vem afirmando o senhor ministro. (*) É presidente da Fundação Municipal de Ação Cultural.

Relacionadas