Opinião
Por mudan�as reais - Editorial
Depois de uma semana agitada por rumores de mudanças na cúpula da polícia alagoana, seria de bom alvitre que esta semana que se inicia hoje viesse a ser portadora de alguma boa nova nessa área. E melhor ainda se as mudanças não se limitassem a trocas de nomes, afinal nosso Estado precisa mesmo é cambiar políticas públicas, permutar procedimentos. Em matéria publicada na sexta-feira, 18 de outubro, a Gazeta de Alagoas devolve à pauta de preocupações a preocupante realidade das periferias da capital alagoana. A reportagem em tela mostra como o tráfico expande seus tentáculos pelas áreas de moradias de baixa renda e como essas quadrilhas têm escolhido as escolas como alvo preferencial. Há anos a criminalidade demostra ter um crescimento acelerado em suas ações nos bairros das chamadas ?periferias?. São cotidianas as incursões das quadrilhas nesses locais, pilhando com especial furor pequenos empreendimentos - mercearias, padarias, depósitos de bebidas, farmácias - além de residências, veículos e até igrejas. Está identificada uma tendência extremamente nociva para a sociedade: o assédio permanente e crescente da criminalidade sobre os centros de ensino. Como se não bastassem as dificuldades de um sistema de ensino deficiente, minado por constantes greves e corroído por uma crônica indigência material, as escolas (especialmente as públicas, mas as particulares também são vítimas do mesmo problema) nos bairros populares estão sendo asfixiadas pelo crime organizado. Tal cenário reforça a compreensão de que para mudar a atitude do poder público em relação à insegurança pública não basta dançar a ciranda da troca de nomes. Que surjam novos nomes, que a competência pessoal seja valorizada, e a incompetência excluída, mas o fundamental é uma nova política para a ação policial.