Opinião
Chaga crescente - Editorial
Sobejamente conhecida há muitas décadas, a prática do clientelismo político, com o passar dos anos, oferece insofismáveis evidências de crescimento e ?profissionalização? ? seja pela parte concedente, seja pelo lado pedinte. Prática secular, dela podem ser encontrados registros seguros desde a época do Império; e a República nunca se preocupou em combater esse vício ? até porque tudo indica que temos aqui um vício de Estado, de poder, e não apenas de governo. Desde tempos imemoriais, o poder era praticado pelos coronéis e barões com as duas mãos: uma, ?solidária?, concedia benesses; outra, autoritária, aplicava o rebenque. Apesar da indiscutível evolução democrática brasileira, nunca nos livramos dessa chaga simultaneamente autoritária e paternalista. Compensa-se a notória inação do Estado na área social com uma ?privatização? canhestra do assistencialismo. Usualmente, as retribuições do assistido, sem exceções, são coletadas de forma individual pela pessoa da autoridade constituída. Assim se movem as coisas especialmente nos perímetros delimitados pelos poderes Executivo e Legislativo. Qualquer tipo de apoio, concedido através da via assistencialista (individualizada) não é atribuído ao poder constituído. Assim, ao largo das secretarias competentes para a questão social, o ?favor? é reconhecido pelo demandante como outorgado não pela prefeitura, câmara municipal, governo estadual, assembléia legislativa, ou mesmo o congresso nacional. Quem capitaliza o favor prestado é a pessoa da autoridade pública, ou seu preposto. E assim se desencaminha a humanidade: o assistencialismo substituindo a politização. A reportagem da Gazeta de Alagoas publicada no domingo, mostra a quantas anda essa deformação e convida os alagoanos a se posicionarem contra o aprofundamento dessa mazela.