Opinião
Quando queremos e perseveramos
| Dom Fernando Iório * Deixou-nos ele precioso lembrete que vale por todo um tratado de Psicologia. Ludwig Beethoven ? aquele músico genial ? declarou a quantos desejam vencer na vida: ?Compõe-se o gênio de dois por cento de talento e de noventa e oito por cento de perseverança?. Com efeito, vitórias decisivas nunca se improvisam. Não são fruto de gramas de audácias, mas, de toneladas de perseverança. Quem já conquistou sucessos duradouros, de um instante para outro? Os marcantes triunfos sempre foram cascatas de perseverança de rios correntes. As mais belas vitórias são bem anteriores a si mesmas, com marcas de esforços contínuos, de incontáveis passos dados, de inacreditáveis flagelações corajosas. Quem não persevera perde a caminhada que encetou. Ravignan outorgou à humanidade esta bela mensagem: ?Há três modos de querer ? querer porque não custa; querer embora custe; querer exatamente, porque custa?. A última das modalidades ? ?querer porque custa? ? é apanágio daqueles que sabem o que querem, como querem e porque querem. Quando o querer sai do ponto de origem, cabe à perseverança acompanhá-lo em todas as variantes do principal caminho. O querer inicia para que complete a perseverança a costura do tecido da vida. Sendo assim, vale a pena você querer, ainda que isso custe; entretanto, valor maior não se levanta para sentar-se no trono da perseverança. Na terra, nossa existência é qual sinfonia inacabada, cujo desfecho melódico só captaremos, profundamente, quando a perseverança dedilhar, no piano da chegada, a última nota sem fim. Torna-se a perseverança o apanágio, portanto, daquelas pessoas que nunca se acham, definitivamente, realizadas, daqueles que são resolutos e que acreditavam na felicidade que chegou ou está para chegar; por isso nunca deixam de caminhar, certos de que, na estrada da perseverança, não há lugar para fugas ou deserções. Somente o hoje perseverante assegura o amanhã de realizações, quando, então, descobriremos deslumbrados, a imensa reserva energética de que éramos possuidores. Mais um passo além, no palco da perseverança. Detenhamo-la com as duas mãos. Talvez, num logo, não muito distante, ela de virtude se torne um dom do Espírito Santo, a caminho da perseverança eterna, no tempo sem tempo, que se torna eternidade. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e membro da Academia Alagoana de Letras.