Opinião
Nota vermelha - Editorial
Números começam a aparecer comprovando e detalhando os grandes prejuízos sofridos, pelas parcelas menos favorecidas da sociedade, com a realidade da educação pública no Brasil. Segundo pesquisa realizada pela Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA/USP), ?cerca de um milhão de famílias brasileiras de baixa renda comprometem 10% da renda matriculando os filhos em escolas particulares. Por ano, quase 5% dos pais da classe E gastam R$ 1 mil em mensalidades escolares, enquanto que 5,5% das famílias da classe D utilizam R$ 2 mil.? O chocante é que, proporcionalmente, os mais pobres pagam quatro vezes mais que as camadas mais abonadas pela educação de seus filhos, pois as classes A e B, respaldadas por suas rendas mais adiposas, investem cerca de 2,5% do rendimento familiar no pagamento de escolas privadas. Dentre as razões que obrigam os trabalhadores de menor renda a retirarem os filhos das escolas públicas estão listados (nos grandes centros) principalmente os itens falta de segurança e baixa qualidade do ensino. Se a pesquisa fosse realizada em Alagoas, a fuga seria basicamente por conta de infindas greves. Segundo a pesquisa, com todos esses problemas, hoje, 80% dos estudantes brasileiros estão matriculados na rede pública. Mesmo assim, o gasto com educação nos orçamentos familiares é o item que mais cresceu nos últimos anos, pulando de 3,2% em 1988 para 5,5% em 2003. E o pior de tudo, segue o estudo: ?Mas o investimento é de boa qualidade? Pedagogicamente, a escola privada na qual as famílias de baixa renda estão colocando seus filhos é melhor do que as públicas das quais saíram? Segundo especialistas, a resposta é: não?. Infelizmente, a busca (cara) tem sido infrutífera. O estudante pobre, pagando alto preço, tem pulado da frigideira para o fogo.