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Mirian ou o general?

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| J. Heleno Santos * Li o artigo do general reformado Francisco Batista Torres de Melo, em resposta à jornalista Miriam Leitão. Primeiro, é importante dizer que há exageros e acertos de ambos os lados da trincheira. A jornalista tem motivos para não ter saudades da ditadura militar. O general tem razão de ser saudosista, afinal, era uma época em que um punhado de oficiais generais, blindados pelo poder absoluto, formavam uma espécie de ?politburo? que governou o Brasil com mão de ferro. Quero dizer que eu, particularmente, não sinto a mínima falta da ditadura, ao mesmo tempo em que sinto muita vergonha dos políticos corruptos de agora. Creio que o general tem suas razões, como já disse, mas ele não deve estar falando sério quando diz que o povo acha que ?Só os militares podem salvar o Brasil?. O general se esquece das centenas de desaparecidos, executados e torturados por ordem dos ditadores militares. Se alguém teve a oportunidade de ler o livro Os dominicanos e a morte de Carlos Marighela, de Frei Betto, deve ter observado a face mais fria de um estado de exceção. Condeno, da mesma forma, a violência dos grupos armados de esquerda que tentaram reaver o poder pela força das armas. Nada justifica o julgamento sumário, a execução de prisioneiros, a tortura ou o tratamento degradante. O general também dá uma de Lula quando afirma que ?não houve no passado, nem há, nos dias de hoje, nenhum militar metido em roubo, compra de voto, CPI, dólar em cueca, mensalões ou mensalinhos.? Ou seja, ele diz que não sabe de nada. Ou que não sabia de nada... Havia também desperdício de recursos públicos. Somente o dinheiro gasto com a propaganda pró-sistema daria, por exemplo, para amenizar profundamente a favelização de cidades como o Rio de Janeiro, cuja população pobre cresceu bastante durante os ?anos dourados? citados pelo general. Só havia uma diferença com os tempos atuais: o povo não sabia, porque a imprensa não era louca de noticiar um escândalo dos governos militares, ou alguém acabaria preso, e quem sabe torturado ou ?desaparecido? no dia seguinte. Finalizo dizendo que o povo deve ir às ruas sim, mas não para pedir tanques ou metralhadoras. Não precisamos mais disto. O povo deve ir às ruas para ensinar ao próprio povo a não vender seu voto e a escolher melhor os candidatos. Basta de tiranos, sejam militares ou civis. (*) É sargento PM/AL.

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