Opinião
Bizarrice liberticida - Editorial
Durante os últimos anos, por culpa do poder Executivo, visões e práticas deformadas do direito às manifestações públicas. Cabe a parcela principal de culpa pelo estado de coisas a que chegamos ao governo, porque cabe ao Executivo aplicar os limites definidos por lei, visando preservar os direitos de toda a população frente ao direito de parcelas dessa própria comunidade em expressar seus protestos. Não se discute o direito de ir e vir, aí incluso o direito de fazerem-se passeatas e atos públicos. Afinal, a praça é do povo, recitou Castro Alves. Mas precisamos discutir a interdição, por dias a fio, de ruas e logradouros públicos. As vias urbanas de Maceió já padecem de crônicos e crescentes problemas de volume e fluxo de trânsito ? sem perspectiva de soluções à vista. Nesse universo de ruas estreitas, tortuosas e quase permanentemente engarrafadas (além de veículos motorizados, por bicicletas e pedestres). E eis que, de uma hora para outra, nos últimos anos, virou mania, a título de quaisquer (justas) manifestações, a prática (injusta) de bloquear o trânsito ? e em rotas obrigatórias de passagem para muitos milhares de trabalhadores e demais cidadãos e cidadãs, que têm seu direito de ir e vir simplesmente cassados. A libertinagem na ocupação de prédios públicos é outra dessas mazelas em crescente moda. Até o velho pronto-socorro já foi vítima de uma tentativa de invasão. E, pasmem, numa recente conversa entre sindicalistas e poder Judiciário, foi solicitado que os mandatos de reintegração de posse fossem postergados até serem chancelados por terceiros. Bizarrice pura, mas a culpa não cabe, principalmente, aos sindicalistas (eles têm de berrar); a culpa primeira é de quem tem a responsabilidade de aplicar a lei, sob pena da desmoralização, quiçá o fim, de liberdades tão duramente conquistadas pelo povo brasileiro.