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A velha e a crian�a

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| Alari Romariz Torres * Setembro foi o mês do idoso, outubro é o mês da criança. Fomos eu e minha neta mais nova, Nicole, devidamente lembradas. Uma na reta final e a outra no início da vida. Graças a Deus, o Brasil está melhorando o tratamento com a ?melhor idade?: foi aprovado o Estatuto do Idoso e algumas regalias foram consolidadas. Falta muito. O velho em nosso País ainda é ocioso. Não lhe dão trabalho, ocupação. Quando ele tem condições de freqüentar os Clubes de Terceira Idade é bem melhor. Mas, nem todos pertencem à classe média. Os pobres, bem pobres, ainda sofrem muito e, se forem felizes, vão para os asilos públicos esperar pela hora da morte. Quando dizemos a um filho ou a um neto o que acontecerá se ele insistir em determinado tipo de comportamento, ele acha que é ?praga de mãe? e realmente vai ocorrer o previsto. O nome disso é experiência de vida. Às vezes, penso no cineminha que me passa pela cabeça quando vejo os mesmos comportamentos pessoais ou políticos e resultados idênticos aos passados. Os jovens envolvidos com drogas estão ouvindo, lendo, escutando como prevenir e evitar o caminho errado. Mas, não vejo diminuir o número de meninos e meninas drogadas. O ensino público no Brasil, na minha infância era maravilhoso. Hoje, ficou tão ruim que é preciso garantir vagas na universidade para estudantes que vêm dos estabelecimentos gratuitos. Nicole tem sete anos e já estuda em colégio particular, porque ainda não foi recuperada a confiança nas escolas do Estado. Plano de saúde faz parte do orçamento de qualquer família de classe média. Antigamente, os grupos escolares nos proporcionavam vacinação e assistência médico-odontológica. Ingressar no Instituto de Educação era difícil. O exame de admissão selecionava com categoria e nos sentíamos privilegiados alunos de colégio público. Ou mudamos nós, ou mudou o sistema. Nas cidades grandes já existem empresas que fazem o favor ?de empregar idosos?. Em Maceió, tenho observado em alguns supermercados velhos felizes por estarem trabalhando. Em pleno século 21, nosso salário deve cobrir despesas com habitação, saúde, educação e alimentação, no mínimo. Meu pai foi funcionário do antigo IAPI e nós sempre tivemos assistência médica de primeira e estudamos em escolas públicas. Os mais novos já alcançaram a decadência do ensino estadual. (*) É economista e funcionária aposentada estadual.

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