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LUIZ SÁVIO DE ALMEIDA * A idéia de implantar-se um Mestrado de História em nossa Universidade é importante. Infelizmente, viveu-se uma série de atropelos que prejudicaram o encaminhamento operacional. Não nos importa ficar recordando os motivos, mas tentar refazer o Mestrado sem correria para que possa haver tempo suficiente de maturação. Isso precisa ser corrigido e não parece um bom caminho tentar continuar remoendo culpas e nem ficar lançando farpas de acusações. A Universidade tem que caminhar para encontrar-se em diálogo e não em enfrentamento. Possivelmente, o maior problema existente encontra-se nas dissertações apresentadas e aprovadas, bem como alunos em fase de redação. Isso significa que não podemos zerar o que aconteceu. Seria bem mais fácil recompor, caso não tivesse sido dada a permissão para que tais eventos acontecessem. Existiram e criaram uma relação de direito, não importando a questão da qualidade acadêmica que também é discutida por alguns. Daí considerarmos urgente responder a uma questão: ?O que vai acontecer com o passado, desde que não podemos apagá-lo?. Entendemos que esta é a primeira preocupação que deve ser vencida, pois implica negar a validade de tudo quanto foi realizado ou encontrar uma fórmula de validar o que foi feito, no que se deve ter a rigorosa observação do ângulo jurídico do problema. Somente com esta segurança poderemos deliberar nossa posição sobre o problema. Não se tendo uma posição jurídica esclarecida, poderemos tomar posição errada e encaminhar, novamente, o processo de modo equivocado. Por uma fragilidade na base, sugerimos que seja aberta anualmente, a inscrição e competente seleção - para um curso de aproximadamente 120 horas destinado a nivelar os estudantes que assim desejarem e trabalhando, especialmente, as seguintes disciplinas: português, técnicas de leitura, redação de tese, planejamento e elaboração de projetos de pesquisa histórica como partes instrumentais, além de um curso intensivo de língua estrangeira. A maior dificuldade de nosso estudante ? e convivemos intimamente com boa fração ? não está em raciocinar, mas de passar a elaboração do raciocínio para a escrita. Com isso, jamais o nosso estudante estaria inferiorizado na seleção para o Mestrado, aqui e em outros locais. Por outro lado, deve ser abrandada a exigência de língua estrangeira, desde que o parque editorial brasileiro tem publicado o melhor material internacional. Tal curso deveria ser oferecido sem qualquer cobrança, a não ser uma taxa mínima para viabilizar papel e quejandos. No que diz respeito aos estudantes, deveria ser dada preferência aos que se envolveram em projetos sérios de pesquisa, com orientadores de peso e, também, os que foram bolsistas de iniciação científica. Parece que estamos afirmando que o Mestrado deveria ser prioritariamente para o estudantes. E verdadeiramente estamos, embora não saibamos o peso jurídico desta afirmativa. A quantidade de jovens talentosos e que se perdem é incrível; perdem-se no emaranhado do próprio curso, perdem-se no emaranhado da própria Universidade e, mais cruelmente, perdem-se no emaranhado da pobreza. A seleção deve ser rigorosa: defesa de projeto, prova escrita, prova de línguas com a possibilidade de ser renovada em determinado prazo e sobre a responsabilidade do Departamento competente da Universidade. A bibliografia a ser dada deveria ser mínima e fundamental para o objetivo maior do curso que é o Mestrado. Na seleção e em termos de estudante, dar-se-ia prioridade aos que passaram pelo curso mencionado, condição que pode ser posta (pensamos) nos editais. Em última instância e observando-se o que dispõem as regras existentes, o Mestrado deveria ter um núcleo básico centrado em teoria da história e epistemiologia das ciências sociais. Seria aceitável ter base em planejamento de pesquisa, técnicas qualitativas e quantitativas de análise. Isto funcionaria para que ele operasse sobre a Formação Histórica do Nordeste e sobre a Formação Histórica de Alagoas. (*) É PROFESSOR DA UFAL E DOUTOR EM HISTÓRIA

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