loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Fim da Secom. Posso contrariar?

Ouvir
Compartilhar

| Joaldo Cavalcante * Após todo esse redesenho do modelo administrativo do governo de Alagoas, levado a efeito por ação da lei delegada, surge agora uma nova demanda para modificação do espectro de secretarias. E, na divisão de uma das unidades pertencentes ao primeiro escalão, apresenta-se a fórmula de extinção da Secretaria de Comunicação como receituário para evitar o ?aumento de despesas?, conforme reverberou uma voz governamental. Para início de conversa, é bom logo dizer que a tentativa de sepultamento da Secom não é original. Desde sua criação, em 1985, outras incursões já ocorreram, prevalecendo sempre a sensatez em torno da importância de fortalecer uma área que promove a política institucional de comunicação do Estado. Desta vez, o condimento novo é substituí-la por uma ?Agência de Comunicação?. É impossível não vislumbrar algo de esdrúxulo nessa proposta de formatação administrativa. O argumento de enxugamento das despesas não cabe neste debate, pois se discute uma mudança de nomenclatura e posição. E, no campo da economia, o impacto é insignificante em todos os sentidos. De acordo com o custeio mensal do Executivo, que se aproxima de 8 milhões de reais, a manutenção da Secom compromete a cifra ? falimentar, aliás ? de 8 mil reais, menos de um por cento do custo total bancado pelo Tesouro Estadual. E a folha de pagamento de quase cinqüenta funcionários? Gira na casa de 80 mil reais, enquanto a despesa com pessoal no governo já ultrapassa os 130 milhões de reais. Como se vê, a Secom não é problema para quem pensa em aperto de cinto. O governo de Alagoas já possui algumas agências, como a de Defesa Animal e a Reguladora de Serviços Públicos. As agências orbitam na constelação da Administração Indireta, aproximando-se do primeiro escalão apenas pela trilha vinculativa. Verifica-se, no mínimo, a impropriedade de pensar em reduzir uma missão estratégica a mero birô atrelado ao Gabinete Civil. O papel da Secom não é estanque. Ela deve atuar na execução de uma política de comunicação que permeie o governo como um todo. Transformá-la numa simples agência é abastardar o papel da comunicação de governo e sua função na sociedade. É desprezar o fator de desenvolvimento que norteia a difusão de conhecimentos. É, enfim, secundarizar a informação como instrumento de integração de uma equipe, que tem o dever de se comunicar com o cidadão para dinamizar o trabalho realizado em prol do interesse público. (*) É jornalista e ex-secretário de Comunicação do Estado.

Relacionadas